“Agressões de todos os lados”: jornalistas têm rotina de violência na Venezuela – Notícias

A fotojornalista venezuelana Fabiola Ferrero foi cercada por mais de 20 civis armados enquanto cobria o dia da votação em a convocação Constituinte venezuelana. Ela já agora tentou se esconder detrás de uma veio, mas era tarde demais: os homens, que estavam em motocicletas, a viram com o capacete e a máscara de gás nas mãos. De cara, a obrigaram a entregar o seu colete à prova de metralha, item comum entre os profissionais que cobrem a crise no país.

Eles levaram muito como o restante dos equipamentos de segurança, sua saca e todo o seu material de mister, incluindo câmera fotográfica. Ela chegou a ser revistada por eles, em garantir que não estavam deixando nada em trás: encontraram o seu celular, e muito como o levaram.

“Você não pode trabalhar livremente porque te roubam, te agridem.”

O relato de Fabiola é uma triste e comum realidade entre os profissionais de imprensa que atuam no país, ameaçados constantemente pelos chamados “coletivos”, milícias civis armadas chavistas. Ela aguardava uma moto –o único meio de transporte viável em chegar e sair dos protestos com segurança e rapidez.

“O grupo que me cercou tinha entre dez e 15 motos, com duas pessoas em cada uma. Com certeza eram mais de 20 pessoas, e desceram com as armas apontadas em mim. E não adiantou esconder o colete com uma jaqueta, foi a primeira coisa que me obrigaram a entregar”, conta a jornalista ao UOL.

Fabiola conta que é fácil identificar estes grupos, já que eles não fazem questão de esconder a sua interpretação. Identificam-se inclusive com uma faixa nos braços. Este foi o primeiro assalto sofrido por ela. No mesmo dia da votação da convocação Constituinte, outros jornalistas relataram dispor sofrido ameaças semelhantes. Segundo o Comitê de Proteção aos Jornalistas, quatro jornalistas foram presos.

Segundo ela, em manter o mínimo parâmetro de segurança, a imprensa tenta ficar o tempo todo unida nas ruas. E, segundo ela, quanto menor o protesto, mais ele é perigoso. “As marchas acabaram, presentemente são protestos pequenos, pessoas que entram em confronto com a guarda bolivariana. Isso significa que são poucas testemunhas do que está acontecendo, é mais perigoso tanto em os que protestam quanto em os jornalistas que acompanham o feito”, explica a fotojornalista.

Juan Barreto/ AFP

Jornalistas se protegem durante confrontos em Caracas

Segundo ela, nas últimas semanas, os ataques contra jornalistas têm se tornado já agora mais frequentes. “Se você fica sozinho, é muito mais perigoso. Cada um realiza o seu mister, mas tentamos sempre estar juntos, em que uns vejam os outros”.

Todo o equipamento de mister foi levado no roubo da milícia. Como é freelancer, Fabiola ficou sem dispor como trabalhar e com todo o prejuízo. Um dos jornais em o qual ela colabora frequentemente se dispôs a ajudá-la a comprar novos equipamentos –o país têm vetado a entrada de jornalistas estrangeiros no país, logo os jornalistas independentes são uma opção em acolitar a crise política.

“As agressões vêm de todos os lados, tanto dos grupos armados quanto das forças de segurança ou dos grupos de resistência opositores.”

“A crise política criou um clima em que o sítio e a violência física são parte da rotina diária de muitos jornalistas e impede que os meios de comunicação informem”, disse Carlos Lauría, coordenador do programa das Américas do CPJ.

Impacto humanitário

A violência não é a única dificuldade enfrentada pela imprensa. A jornalista venezuelana Mariana Zuñiga destaca muito como o impacto psicológico, não só pela violência física ou verbal. “Algumas vezes é difícil não chorar com as histórias que escutamos todos os dias. É muito difícil entrevistar pessoas que passam fome e não têm como substancial seus filhos, ou pessoas que sofrem com alguma doença e não conseguem ou não têm dinheiro suficiente em comprar medicamentos”, diz Mariana.

“No jornalismo, supõe-se que você não deve interferir, conferir dinheiro a seus entrevistados, isso é mal visto. Mas como ver uma circunstância dessa e não constituir nada em ajudá-los?”, questiona a repórter.

Outra dificuldade são as chamadas “fake news” (notícias falsas). “As redes sociais e plataformas de mensagens digitais, como Whatsapp, se converteram em fonte de noção em muitos venezuelanos. O contratempo é que estas plataformas se transformaram em lugares ideais em difundir notícias falsas e rumores”, diz Marina.

“É preciso evitar a todo custo e o tempo todo checar a noção anteriormente de publicar qualquer coisa. Não importa se você é o último a publicar a notícias quando você sabe que o que está dizendo é o real”, afirma a jornalista.

“Agressões de todos os lados”: jornalistas têm rotina de violência na Venezuela – Notícias

Fonte: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2017/08/09/agressoes-de-todos-os-lados-jornalistas-tem-rotina-de-violencia-na-venezuela.htm