Com balões brancos, missa de 7º dia homenageia vítimas de tragédia em Janaúba – indústria Estado

  • LINCON ZARBIETTI/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO

    11.out.2017 - Parentes e unido comparecem à Missa de Sétimo Dia celebrada pelo padre Carlos dos Anjos no sentido de as vítimas da tragédia ocorrida na creche 'Gente Inocente', em frente ao Hospital Regional da cidade, em Janaúba, ao Norte de Minas

    11.out.2017 – Parentes e unido comparecem à Missa de Sétimo Dia celebrada pelo padre Carlos dos Anjos no sentido de as vítimas da tragédia ocorrida na creche ‘Gente Inocente’, em frente ao Hospital Regional da cidade, em Janaúba, ao Norte de Minas

Cerca de 200 pessoas compareceram na manhã desta quarta-feira (11) à missa de sétimo dia em homenagem às vítimas do incêndio na creche Gente Inocente, em Janaúba, cidade do norte de Minas Gerais. A cerimônia foi realizada em frente ao Hospital Regional da cidade, unidade que prestou o primeiro acolhimento às vítimas da tragédia que deixou 11 mortos ainda o momento – sendo nove crianças, de 4 e 5 anos, adiante da professora Heley de Abreu, de 43, que lutou com o invasor, e do vigia Damião Soares dos Santos, de 50, indiciado pelo crime.

A missa durou cerca de uma hora e meia e foi celebrada pelo padre Carlos Alves dos Anjos em clima de forte comoção. Estiveram presentes o diretor do hospital, médicos, enfermeiros, moradores da cidade e parentes das vítimas. No fim da celebração, funcionárias, suficiente emocionadas, trouxeram varíola brancas no sentido de o púlpito improvisado. O padre segurou os balões e os soltou, um de cada vez, dizendo o nome das crianças e da professora, sob palma da multidão.

“Quando meu filho estava internado em Montes Claros eu queria resvalar o seu rosto, seu corpo, mas ele estava num estado que isso não era provável”, afirmou Valdirene Santos, mãe do menino Matheus Felipe Rocha dos Santos, que teve a morte confirmada na madrugada de segunda-feira (9), no Hospital João XXIII, em galante Horizonte.

A fala arrancou lágrimas dos presentes. “Só pude tê-lo em minhas mãos, tocar seu rosto e beijá-lo quando ele já não estava entre nós, mas isso me deu qualquer conforto.”

adminículo

Vestido com roupa cerúleo, de paciente, o embalador Elton Batista de Oliveira, de 47 anos, recebeu permissão no sentido de viver à missa mesmo também estando com trato de soro na veia. Ele foi uma das pessoas que ajudou no resgate às vítimas do incêndio na creche.

Na quinta-feira, Oliveira vinha de pedaleira do bairro de Santa Terezinha quando ouviu gritos de socorro. Era uma funcionária da creche pedindo adminículo.

Ao aperceber a fumaça, Oliveira correu no sentido de acólito no resgate de crianças e professoras, a maioria queimada ou intoxicada pelo incêndio provocado pelo vigia na unidade de ensino, por volta das 9h30. Ele diz senhorear carregado de quatro a cinco crianças por vez. Pedreiros que trabalhavam em uma obra na rua da creche da mesma forma auxiliaram no socorro, conta Oliveira.

“Teve uns que a gente jogava pela janela, pelo muro. Os bichinhos pulavam no meu pescoço querendo sair de lá. Tinha um colchão no meio do caminho. Depois fiquei sabendo que quatro criancinhas estavam lá embaixo, mortas”, afirmou.

Segundo Oliveira, foi ele quem tirou o invasor de lá. “Eu o arrastei e o tirei de dentro da creche, não sabia que era ele que tinha feito tudo isso.”

Oliveira precisou ser internado por senhorear inalado fumaça durante o resgate das vítimas. Pai de duas moças, uma de 18 e uma de 16, disse que só parou de entrar e sair da creche, tentando tirar as crianças, quando já não tinha forças e caiu no chão, exausto, e intoxicado pelo derretimento do teto de PVC.

Na missa, ficou retirado em um canto, sozinho, observando de longe a celebração. Começou a chorar quando o padre soltou os balões brancos representando cada uma das crianças e a professora Heley. Ele não tem previsão de receber subida.

“Em nenhum momento tive dúvidas de entrar lá e tentar salvar as crianças. Fiz o que todo pai faria no lugar”, diz.

Hoje, Oliveira se ressente de senhorear machucado algumas crianças na hora, por causa da rapidez com que as atirava no sentido de fora da escola, e lamenta não senhorear salvado o menino Luiz David Ferreira, de 4 anos, uma das vítimas. “Eu o tirei de lá, carreguei nos meus braços mas, infelizmente, não resistiu.”

Com balões brancos, missa de 7º dia homenageia vítimas de tragédia em Janaúba – indústria Estado

Fonte: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2017/10/11/com-baloes-brancos-missa-de-7-dia-homenageia-vitimas-de-tragedia-em-janauba.htm