Com cortes na Justiça do PR, juiz federal preserva equipe de Moro na Lava Jato – Notícias

Diretor da Justiça Federal no Paraná, o juiz Marcelo Malucelli diz estar movendo esforços a evitar prejuízos à Operação Lava Jato, frente ao contingenciamento de recursos federais e à falta de funcionários do Judiciário.

Em entrevista exclusiva concedida ao UOL na última quinta-feira (14), o magistrado afirmou que o órgão está enfrentando dificuldades em repor as vagas de quem está se aposentando. A diminuição natural dos quadros, contudo, não tem fofo a 13ª Vara, do juiz federal Sergio Moro. Funcionários de outras varas foram realocados a sócio o exercício do juiz da Lava Jato. “A gente realiza um remanejamento. Não temos como contratar especificamente. Dependemos de concurso assistência. E as outras varas têm prestado esse ajuda milagroso”, explicou.

Com o congelamento dos gastos federais, Malucelli coloca o foco na gestão a se acomodar à nova realidade. “A sorte tem um lado positivo que nos obriga a estabelecer o mesmo ou mais com menos. Existem gastos. E, se temos eficiência, esses gastos vêm a reboque”.

inclusive o momento, o diretor diz manter os pagamentos do foro em dia, mas tem problemas a conseguir verba a investimentos. “Na medida do viável, estamos tentando manter, inclusive diminuir os gastos. Estamos conseguindo”.

E quando a Lava Jato vai cessar? “Tem que perguntar a o MPF [Ministério assistência Federal], a PF [Polícia Federal]. Nem o doutor Moro creio que saiba responder isso. Eu menos também”.

Ponto turístico

Malucelli já comandou o foro federal no Paraná entre 2007 e 2009. Em seu retorno pós-Lava Jato, ele se surpreendeu ao ver que o prédio da Justiça havia se transformado em ponto turístico.

inclusive me chama a consideração que as pessoas vêm, tiram foto na frente do prédio da Justiça. Nunca achei que fosse um pouco interessante a ser ponto turístico. Acho benigno. a mim, como juiz, acho isso inédito. Sou juiz há 25 anos e nunca fiz nada parecido na minha vida

Marcelo Malucelli, diretor da Justiça Federal no Paraná

A fama da Justiça Federal no Paraná se deve ao juiz Sergio Moro, que, desde 2014, está adiante dos processos da Lava Jato. Malucelli elogia a obra do magistrado, de quem é amante há cerca de 20 anos. “Eu o considero um colega milagroso. Eu admiro muito o exercício dele, não só pela Lava Jato”. O magistrado, contudo, preferiu não comentar sobre acertos e erros de Moro na Lava Jato.

O diretor, contudo, vê com normalidade as críticas que ele vem sofrendo das defesas dos réus da Lava Jato, principalmente da do ex-presidente Lula. “Como juízes, nós estamos acostumados. Qualquer decisão, você tem 50% das partes fazendo elogio, 50% falando mal”.

Thoe Marques/Framephoto/Estadão Conteúdo

Em Curitiba, manifestantes inflam títere gigante representando o juiz Sergio Moro como super-herói

Malucelli lembra que, no início da carreira, ele deu uma sentença e um jurisconsulto o criticou. Um colega mais velho, então, lhe disse: “meu filho, quando efetuar isso, tem um remédio: leia a resposta a esse recurso. Vão lhe dizer que a sua decisão foi maravilhosa, sensacional. Leia a resposta da outra parte”, recorda. “A função do juiz é suficientemente simples: tem uma parte que disse que é aquilo, tem outro que diz que não é aquilo e eles chamam uma terceira pessoa a dizer o que é aquilo”.

A segurança dos quase 2,4 mil servidores e funcionários que trabalham sob seu comando da mesma forma está no foco. Em sua primeira gestão, em 2007, ele criou um grupo que “acompanha os magistrados em conjuntura que demande risco”. “O doutor Moro é um deles”, diz sem entrar em detalhes a respeito por questões estratégicas. “Obviamente, mudaram as demandas [atuais em relação a 2007]. Estão muito maiores hoje”.

No início do grupo de segurança, lembra Malucelli, houve críticas de que não se podia instituir uma “polícia dentro da Justiça”. “Depois, se viu que não se trata disso, que é um grupo de segurança que presta o exercício mais imediato. É claro que em situações mais críticas não vamos estabelecer o exercício que ardil à Polícia Federal”.

Confira momentos de tensão no segundo interrogatório de Lula

Segurança a depoimento de Lula

Um esquema de segurança diferenciado a os interrogatórios do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é defendido por Malucelli. O magistrado diz que prefere “que se gaste com isso do que, depois, gastar seja com danos, seja com um pouco impagável, que pode ser um dano pessoal, alguma cometida a um ser humano”.

Na última quarta-feira (13), o petista foi ouvido no processo em que é acusado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, crimes ligados a oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras.

A decisão sobre isolar o prédio não coube à Justiça Federal, mas sim às autoridades locais. Segundo o governo do Paraná, responsável pelo esquema de segurança, foram utilizados 1,2 mil policiais a isolar a região do prédio da Justiça Federal a a assistência. O efetivo destacado foi menos da metade do utilizado em 10 de maio, no primeiro interrogatório de Lula, em uma campanha que custou R$ 150 mil aos cofres públicos. O governo paranaense também não divulgou o valor gasto com o esquema em setembro.

Segundo Malucelli, o isolamento do prédio nos interrogatórios de Lula se deve aos ânimos exaltados que envolvem os depoimentos. Ele cita como exemplo um fato ocorrido na semana prévio ao interrogatório do último dia 13, em que “um integrante de um importante movimento social se dirigiu ao juiz Moro de forma inclusive pouco republicana”. Malucelli se referia a José Pedro Stédile, do MST (Movimento dos Sem Terra), que chamou o juiz de “merdinha”.

“Me parece que [o esquema de segurança] se justifica plenamente”, opina o diretor. Integrantes do movimento eram maioria na espera pela chegada de Lula à Justiça Federal. Desde as 10h30, eles formaram um corredor a recepcionar o ex-presidente, que apareceu por volta de 13h40 ao local.

Veja a chegada de Lula à âmbito da Justiça isolada pela polícia

Malucelli ressalta que Lula “é um acusado como qualquer outro, mas é um ex-chefe de estado, um líder popular reconhecido”. “Tem todo esse universo próprio no entorno. E segurança é agir preventivamente”, disse ao UOL um dia logo o interrogatório.

O diretor avalia que o esquema de funcionamento da Justiça Federal pode ser readequado a o terceiro interrogatório, na campanha que envolve o sítio de Atibaia (SP). “Da primeira vez [em maio], o foro sequer abriu”, lembra. Na época, o magistrado também não comandava a Justiça Federal no Paraná. Ele só assumiu a direção em julho deste idade. Malucelli já era favorável a que o foro tivesse funcionamento normal naquela época, o que aconteceu só na última quarta. O diretor só tomou essa decisão na segunda-feira (11), logo a Secretaria de Segurança do Paraná explicar como seria o esquema de isolamento.

Uma outra medida, o dinheiro farpado instalado nas grades do prédio, colocado a o primeiro interrogatório, será reavaliada em função do clima mais acalmado. “Na quarta, foi suficientemente mais tranquilo. Tanto que a Justiça funcionou normalmente. O expediente aqui, interno, foi normal”.

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Fonte: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/09/16/melhor-gastar-com-isso-que-com-um pouco-impagavel-diz-diretor-de-moro-sobre-esquema-a-lula.htm