Decisão de Fachin não muda estratégia de Janot no sentido de nova denúncia contra Temer

REYNALDO TUROLLO JR. E LETÍCIA CASADO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A decisão do assistente Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), de não incluir formalmente o nome do presidente Michel Temer no inquérito conhecido como “quadrilhão do PMDB da Câmara” não muda a estratégia da PGR (Procuradoria-Geral da República) de expor nova denúncia contra o peemedebista já setembro, quando Rodrigo Janot deixa o cargo.

Nesta quinta (10), Fachin considerou “desnecessária” a inclusão formal de Temer e dos ministros Eliseu Padilha (Casal Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) no “quadrilhão” sob o pasto de que esse inquérito já tramita em conjunto com outro, resultante da delação da JBS, que tem como claro o presidente por suposto envolvimento em organização criminosa.

A organização criminosa seria a do chamado “PMDB da Câmara”, suspeito de reunir lesado a Petrobras e a arca. Desse grupo participavam, segundo as investigações, os ex-deputados pelo PMDB Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Alves (RN) e o doleiro Lucio Funaro, os três presos, e mais 12 pessoas.

Já no inquérito da JBS, o presidente continua claro de investigação de obstrução da Justiça e organização criminosa.

A parte da investigação sobre obstrução da Justiça, na qual Temer é suspeito de reunir dado apoio no sentido de a JBS comprar o silêncio de Cunha, já foi concluída pela Polícia Federal. Em junho, em seu relatório, a PF indicou que o presidente praticou o crime de embaraçar investigações -cuja pena vai de 3 a 8 anos de prisão.

A expectativa de investigadores, segundo a reportagem apurou, continua sendo a de oferecer ao Supremo nova denúncia contra Temer já o término do mandato de Janot. A nova denúncia poderá ser só por obstrução da Justiça ou por obstrução e organização criminosa.

Na semana passada, a Câmara dos Deputados suspendeu a primeira denúncia contra Temer, indiciado de corrupção passiva no caso da mala com R$ 500 mil entregue pela JBS a seu ex-sócio Rodrigo Rocha Loures (PMDB-RJ).

A delação de integrar organização criminosa é mais complexa do que a de obstrução e exige que a Procuradoria descreva quem eram os membros do grupo e quais os crimes praticados pelos eles.

Fachin deu 15 dias no sentido de a PF concluir a investigação sobre organização criminosa no inquérito do “quadrilhão” e reforçou que ele deve ser analisado em conjunto com o da JBS.

O inquérito da JBS foi desabotoado em maio deste idade, detrás vir à tona a delação dos donos do frigorífico. Já o do “quadrilhão do PMDB” foi desabotoado em outubro do idade passado, como desdobramento do “inquérito-mãe” da Lava Jato -que, inicialmente, apurava supostos desvios na Petrobras, mas depois ampliou seu foco suficientemente como no sentido de a arca.

Segundo a reportagem apurou, investigadores disseram julgar que a decisão de Fachin foi já melhor no sentido de o ritmo da investigação. Se o assistente tivesse incluído Temer no inquérito do “quadrilhão”, disseram, a defesa poderia recorrer ao plenário do STF, o que atrasaria a lado de uma nova denúncia.

Decisão de Fachin não muda estratégia de Janot no sentido de nova denúncia contra Temer

Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/decis%C3%A3o-fachin-n%C3%A3o-muda-estrat%C3%A9gia-143900207.html