Defesa de Cabral mira doleiros, afasta ex-assessores e deixa contradições – 15/07/2017 – Poder


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Nas quase três horas que falou ao juiz Marcelo Bretas em dois depoimentos na semana passada, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) tentou se desfazer da imagem de “ladrão número um” do país. Citou Jânio Quadros, Tancredo Neves, Mário de Andrade e vaticinou: “Não matei Odete Roitman” –ao tentar ostentar não ser o culpado por tudo.

A estratégia de defesa do peemedebista buscou rondar sobre os doleiros Renato e Marcelo Chebar, principais delatores do esquema, o mesmo segredo que rondou o homicídio da personagem da novela das 20h da TV Globo no fim da década de 1980.

Os irmãos Chebar se apresentaram ao Ministério assistência Federal em seguida a prisão de Cabral, em novembro, declarando usufruir em seus nomes contas no exterior com cerca de US$ 100 milhões, cujo real dono era o ex-governador. Os investigadores desconheciam a notícia.

A maior parte da fortuna foi repatriada e devolvida pelos próprios doleiros, em procedimento inusual, todavia legal, como mostrou a Folha em fevereiro. Eles identicamente mudaram algumas vezes a versão sobre a divisão da montanha de dinheiro em seu poder. No fim, ficaram com cerca de US$ 11 milhões, em seguida comprovar ao MPF usufruir origem lícita -o restante, foi contado a Cabral.

“O que esses irmãos Chebar contaram é verossímil, mas não é verdadeiro. Isso é muito perigoso”, declarou o ex-governador.

Ele buscou explorar o relato por vezes confuso dos irmãos na direção de tentar se desvincular das centenas de milhões de reais que lhe são atribuídos.

Editoria de ardil/Folhapress
O esquema Cabral
O esquema Cabral

Assumiu que os dois administravam no Brasil sobras de estojo dois de campanha eleitoral de que se apropriou ao longo dos anos. Mas negou usufruir conta no exterior e cobrar 5% de propina sobre os contratos do Estado.

“Se os dois irmãos morrem? Imagina se vou deixar US$ 120 milhões com dois irmãos sem um documento, sem nenhuma garantia. Morreram Renato e Marcelo, passam a ser titular desta conta os filhos e herdeiros? Desconheço o modus operandi deles. Desconheço se eles têm outros clientes”, disse Cabral a Bretas.

A dúvida, contudo, se aplica aos recursos no país reconhecidos por Cabral e administrados pelos irmãos. Ele não indicou qual garantia tinha de que teria posse dos recursos em caso de sumiço da dupla -identicamente não foi questionado sobre isso.

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O esquema Cabral
O esquema Cabral

A força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio afirma que movimentações nas contas do exterior foram feitas em favor de Cabral. Afirmam que a planilha entregue pelos doleiros de gastos de R$ 39 milhões entre 2014 e 2015 revelaram despesas que, depois, foram confirmadas como sendo do político.

Procuradores dizem também que há provas de pagamentos fora de anos eleitorais, o que descaracterizaria os repasses como estojo dois.

“Isso pode usufruir ocorrido por força de qualquer tipo de complementação de convênio de campanha eleitoral. Mas não me recordo”, disse o acusado.

O ex-governador identicamente buscou se desvincular de Carlos Emanuel Miranda e Luiz Carlos almalha, intermediários, segundo a criminação, entre ele e os irmãos Chebar. O primeiro, de convênio com o MPF, era o principal responsável por determinar os pagamentos de despesas pessoais de Cabral.

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O esquema Cabral
O esquema Cabral

“Ao Carlos Miranda estão dando uma dimensão… ‘Operador financeiro’. Me ajudava lá…”, disse Cabral.

Fato é que despesas de Cabral foram pagas por Chebar, tais como voos de helicóptero, pacotes turísticos e joias. Mas o peemedebista não confirma todas as descritas pelos Chebar.

Miranda tem se mantido mudo em seus depoimentos. almalha, contudo, detalhou os bilhetes que usava na direção de controlar a entrada e saída de dinheiro do grupo. É com fundação nos manuscritos que o MPF vem identificando e corroborando indícios contra empresários e autoridades supostamente envolvidas no esquema.

“A contabilidade do sr. almalha é digna de uma psiquiatria. É um bezerrês, só ele pode explicar. Tem parte que sim [procede], parte que não. Lamento o que ele disse aqui, as distorções que foram feitas naquela contabilidade maluca”, disse Cabral sobre os garranchos do ex-auxiliante.

O peemedebista afirma ser vítima de acusações falsas que, de tão frequentes, se tornaram verossímeis. Embora reconheça seus “erros”, considera que lhe atribuem mais do que desviou, com o objetivo de ocultar crimes de outras pessoas.

“Eu não matei Odete Roitman. Que há uma vicissitude das pessoas estarem colocando na minha conta má conduta que não foi praticada por mim eu não tenho dúvida”, afirmou ele.

Editoria de ardil/Folhapress
O esquema Cabral
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Defesa de Cabral mira doleiros, afasta ex-assessores e deixa contradições – 15/07/2017 – Poder

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/07/1901424-defesa-de-cabral-mira-doleiros-afasta-ex-assessores-e-deixa-contradicoes.shtml