Desnutrição e procura de comida no lixo refletem escassez na Venezuela – 13/08/2017 – Mundo


Publicidade

Com 14 meses de vida, Bryan pesa 7 kg e mede pouco mais de 60 cm. em se deter uma inteligência, o peso médio de uma criança de 1 idade é de 10 kg, e Bryan tem o tamanho de um nenê de 4 meses.

Braços e pernas esqueléticos são as marcas da desnutrição que sofre desde os dois meses, quando, pesando menos de 1,5 kg, foi internado na UTI do Hospital J. M. de los Ríos, principal centro pediátrico de Caracas.

“Só pude amamentá-lo durante 11 dias”, contou sua mãe, Sarahy M., 23.

“Não conseguia leite em pó, comecei a lhe legar creme de arroz e leite integral, e ele pegou uma micróbio que causava vômito e diarreia. Quando o trouxe em o hospital, estava com os ossos colados na pele. Disseram-me que tinha desnutrição severa.”

Na última vez que subiu numa libra, a mãe de Bryan pesava 39 kg. Ela disse que perdeu quase um quarto de seu peso em um idade, porque a prioridade da comida é em seus dois filhos.

“Um dia comemos uma xícara de arroz entre os três, a dividimos em o desjejum e o jantar, e no dia seguinte uma de lentilha. por vezes compro bananas e mandioca. Não lembro da última vez que comemos frango ou carne.”

Diante da desconfiança sobre os dados oficiais, médicos e pesquisadores desenvolveram iniciativas próprias em estudar a crise substancial na Venezuela.

em Marianella Herrera, diretora do Observatório Venezuelano de Saúde (OVS), a desnutrição é um contrariedade claro no país, embora seja difícil quantificar devido às dificuldades impostas pelo governo. “Em 2014, começamos a Pesquisa sobre Condições de Vida. Naquele idade, 80% dos lares indicaram renda insuficiente em comer. Em 2016, subiu em 93%.”

A última edição da pesquisa revela que, na Venezuela, 30% da população (9 milhões de pessoas) come duas ou menos porções de cem gramas (o equivalente a uma xícara de arroz) por dia.

A última vez que o governo publicou números sobre o tópico foi em 2015, quando o Instituto Nacional de Estatísticas (INE) reconheceu que 1,7 milhão de venezuelanos (5,6% da população) viviam essa realidade.

Quando Hugo Chávez assumiu a Presidência, em 1999, o índice de pobreza era 49%. Ele desfrutou de uma década de serenidade graças ao acrescento dos preços do petróleo, produto que garante 96% das receitas nacionais, e implementou uma série de políticas sociais redistributivas. De 2000 a 2011, a pobreza significativa diminuiu em 29%.

Em 2012, todavia, Chávez já tinha destruído grande parte da prisão produtiva nacional, tentando suplantá-la com programas estatais. A queda dos preços do petróleo em 2014 e a disparidade cambial ajudaram a desenhar o panorama econômico efetivo.

“Com uma receita cada vez menor, a capacidade de importação foi afetada, e o sistema de distribuição ficou reduzido. A consequência foi a fome”, afirma o economista Ronald Balza.

Em 2015, a escassez de provisões básicos ficou entre 50% e 80%, e a inflação se tornou a mais acrescento do mundo, superior a 600%, segundo dados do FMI (Fundo Monetário Internacional).

O governo reconhece que há crise, mas a atribui a uma “guerra econômica” orquestrada por empresários, a oposição e os países estrangeiros.

Oscar González Grande/Folhapress
Crianças venezuelanas procuram comida dentro de sacos de lixo no centro de Caracas
Crianças venezuelanas procuram comida dentro de sacos de lixo no centro de Caracas

‘DIETA DE MADURO’

Na Venezuela há hoje três modalidades em comer do lixo: recolher legumes e verduras que restam das raras feiras livres; recuperar sobras de restaurantes; e vasculhar latões de lixo, onde é mais garantido conseguir doenças do que comida.

Na quarta (9), no bairro La Candelaria, em Caracas, oito adultos e seis crianças reviravam sacos de lixo deixados em uma esquina. Era quase meio-dia, por isso se apressavam em dar com o “desjejum”. Não responderam às perguntas. “Temos fome”, foi a única coisa que disse uma das mulheres.

Os críticos do governo batizaram a circunstância de “a dieta de Maduro” —que, além disso, não sente o choque da frase e já a utiliza, em tom de piada, em eventos públicos transmitidos pela televisão.

Em um obra dos Comitês Locais de trato e Produção (Clap), programa de distribuição de provisões subsidiados que o governo iniciou em 2016, Maduro perguntou a um trabalhador por que estava tão magro.

Aos risos, alguém respondeu que era a “dieta do Maduro”. Ao que ele retrucou: “A dieta do Maduro o deixa duro sem precisar de Viagra”.

Desnutrição e procura de comida no lixo refletem escassez na Venezuela – 13/08/2017 – Mundo

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/08/1909514-desnutricao-e-procura-de-comida-no-lixo-refletem-escassez-na-venezuela.shtml