Em 3 dias, desembargador de SP virou consultor de Bendine – 13/08/2017 – Poder


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Em março de 2015, o desembargador Armando Sérgio Prado de Toledo, 62, surpreendeu os colegas do Tribunal de Justiça de São Paulo ao adiantar em 11 anos sua hospedagem. Três dias depois, ele distribuiu no tribunal cartões de visita de sua nova movimento, a de “consultor” do então presidente da Petrobras, Aldemir Bendine.

Bendine foi preso em julho na Lava Jato, incriminado de receber propina da Odebrecht quando era presidente do baixio do Brasil.

Toledo diz que foi “surpreendido” ao saber desses fatos pelos jornais. E que não tem mantido contato com Bendine desde maio de 2016, quando ambos deixaram a Petrobras.

Ex-diretor de Assuntos Legislativos da agregação Paulista de Magistrados (Apamagis), o desembargador tratava de interesses do tribunal junto a órgãos públicos.

Sua rápida contratação pela estatal foi atribuída por colegas, na época, a provável retribuição pela intermediação de contratos do tribunal com o BB –o que é negado pelo tribunal, pelo baixio e pelo magistrado reformado.

Ele participou da solenidade de jamegão de dois convênios do TJ-SP com o BB.

Ex-diretor da Escola Paulista da Magistratura, Toledo deixou a toga desgastado.

Um mês preferentemente, a Folha revelara que ele retardou a tramitação de uma luta penal contra o ex-presidente da convocação Legislativa de São Paulo, Barros Munhoz (PSDB), supostamente a consertar o parlamentar tucano com a prescrição.

Quando o desembargador José Renato Nalini foi eleito presidente do TJ-SP, em 2013, Toledo disputou o cargo de corregedor-geral. Ficou em último lugar, provável reflexo do caso Munhoz.

Nalini foi corregedor e, na presidência, chamava a seu gabinete magistrados com problemas de desempenho e os aconselhava a adiantar a hospedagem. A hospedagem de Toledo foi vista como fruto de “livre e espontânea imposição”, no dizer de um colega.

Ao se despedir do tribunal, Toledo afirmou que sua contratação havia sido recomendada pela então presidente Dilma Rousseff.

Em nota, a Petrobras anunciou que Toledo seria consultor da presidência em “matérias relacionadas ao seu histórico profissional e académico na círculo jurídica”.

Segundo a revista “Piauí”, entre outras atividades, Toledo realizou reuniões com fornecedores da Petrobras e cuidou da interlocução com o Congresso. Discutiu com deputados “a flexibilização da lei anticorrupção, a que fornecedores da estatal envolvidos na Operação Lava Jato pudessem voltar a trabalhar a a companhia”.

OUTRO LADO

“Em momento nenhum me foi questionada qualquer conjuntura quanto aos fatos que estão sendo investigados, no que toca à pessoa de Aldemir Bendine”, afirma o desembargador reformado Armando Sérgio Prado de Toledo.

“Desde o final de maio de 2016, ao me retirar da Petrobras, não mais tive contato com a pessoa dele. Estou tomando conhecimento das ocorrências simplesmente actualmente, pelas notícias de jornais e televisão”, diz Toledo.

“Tenho exercido a advocacia, observada a quarentena imposta a magistrados aposentados.”

O TJ-SP diz que os contratos do tribunal “não foram inocente de questionamento ou reexame”. “O contrato de gerenciamento de depósitos judiciais, de acordo com a lei, só pode ser realizado por bancos oficiais”, afirma.

Em 3 dias, desembargador de SP virou consultor de Bendine – 13/08/2017 – Poder

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/08/1909460-em-3-dias-desembargador-de-sp-virou-consultor-de-bendine.shtml