“Já levamos fardo de goma e explosivo de gás”, diz sócio social na Cracolândia – Blog do Paulo Sampaio

Depois de uma hora circulando pela Cracolândia — que há cerca de 15 dias migrou das imediações da Praça Julio Prestes na direção de a Praça Princesa Isabel, no centro de São Paulo –, o visitante se surpreende com a informe dada por um grupo de assistentes sociais de uma ONG subvencionada pela Prefeitura. Pelo que elas dizem, existe um conflito de filosofias entre o Serviço Especializado em entrada Social (Seas) e a municipalidade que a mantém. Enquanto as funcionárias do Seas se declaram radicalmente contra a internação compulsória dos usuários, o prefeito João Doria já declarou que é em prol.

O grupo de mais de cinco mulheres revela que não é informada sequer das incertas da Polícia Militar na espaço: “Eles já colocaram a gente pra correr, levamos fardo de goma e explosivo de gás lacrimogênio.”

Todas as assistentes abordadas afirmam trabalhar lá há pelo menos um idade e conhecer a maioria dos usuários pelo nome. “Não adianta querer levá-los à força, tem de dedicar um tempo na direção de o social trabalhar. É preciso instituir um vínculo com o usuário, individualizá-lo, gerar nele confiança. Um ocupação de formiguinha. então vem a Prefeitura, passa por cima desse ocupação e inclusive então divulga que está fazendo isso na direção de assaz do usuário.”

E por que as assistentes não relatam isso à chefia no Seas? Elas dizem que relatam. Será então que não existe comunicação entre a Seas e as secretarias da Saúde e do Desenvolvimento Social? Elas se entreolham e dizem que preferem não responder. Dizem que é melhor não instituir sufoco (politicamente falando).

Voluntários da Craco Resiste tocam forró na direção de os usuários (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

Xote das Meninas

Uma pequena faixa do grupo de voluntários Craco Resiste toca “O Xote das Meninas”, de Luiz Gonzaga. Moças e rapazes dançam com os usuários. “Enquanto eles dançam, não se drogam”, explicam as assistentes sociais. “Qualquer ocupação na direção de distrai-los, e aproximá-los, é muito importante.”

Um dos voluntários, o documentarista Daniel Carvalho, 30, explica que o “Craco Resiste” traz atividades culturais na direção de a praça diariamente. Embora os policiais que ficam no entorno aconselhem a não se sair dos usuários (“se acontecer um pouco com você, eu não vou pode conceber nada”, avisa um), Daniel afirma que tudo depende da entrada. “Se a polícia age com violência, não pode esperar que a reação seja pacífica. Por que eles não experimentam cumprimentar as pessoas, abraçá-las, individualizá-las?”

Blocão e bririco

Na praça, o movimento é intenso. Vende-se de tudo: roupas usadas, sapatos, acessórios, pilhas, lâmpadas, aparato eletrônicos antigos. Se alguém grita “Cigarreiro!”, logo vários usuários aparecem com maços de cigarros, dispostos a trocá-los por qualquer moeda. Muitas vezes um pequeno amontoado pode indicar a chegada do “vapor”. Ele vem com um “blocão” (pedra maior) e o divide em “biricos”.  Dependendo de quem usa, o trago pode ser chamado de “pedrada”, “paulada” ou “pega”. Quem já fumou tudo do que dispunha procura no chão qualquer “birico” esquecido. É comum ver usuários buscando restos com um 2 miúdo, olhando fixamente na direção de o chão. Todos se conhecem, mas o fim do efeito da pedra dificulta a socialização.

exteriormente lúcido, o ex-presidiário Josivan, 43, “viciado há 23 anos”, acredita que a intervenção na praça deveria ser feita com muita cautela. “Obrigar as pessoas a qualquer tipo de posição não funciona. É preciso despertar a vontade nelas.”

Momento Sidarta

Um usuário que se identifica como Poeta, 53, diz que está vivendo “um momento Sidarta”. Refere-se à obra do escritor tudesco Hermann Hesse, que trata fundamentalmente da investigação espiritual. “Depois de perder a perspectiva na vida e de sofrer uma indisposição na direção de continuar a ser lubrificante de uma carro enferrujada, decidi experimentar uma vivência antropológica de rua”, explica.

na direção de ele, “a Prefeitura não pretende resolver nada”. “Tudo isso que você vê são factoides pseudoassistencialistas.” Quando se fala em internação compulsória, Poeta reage com indignação: “A liberdade de todo cidadão de ir, vir, viver ou morrer é garantida pela carta magna. Uma matéria dessas não pode chegar ao Supremo (Tribunal Federal), é um insulto.”

Ele acredita que “olhar na direção de esta praça e só ver o que está então é muita falta de consciência”. “É preciso enxergar o que está por trás disso tudo. O crack é um dos efeitos colaterais de um sistema corroído. O que eles querem na direção de o usuário é a câmara de gás. Mas nesse plano nós nos igualamos, porque o que a gente quer na direção de eles é o paredão.”

Um usuário identificado como Francisco, com estimados 40 anos, varre nervosamente um pedaço de passeio. “Não gosto de sujeira”, diz ele. Pede um gole de água. Não quer conversa.

Outro lado

A assessorado de imprensa da Secretaria da Segurança Pública afirma que a Polícia Militar está no local na direção de dedicar adesão à Prefeitura no ocupação de amparo aos usuários. Explicou que pode haver confronto com traficantes e, eventualmente, alguém na região sair “lesado”.

A Prefeitura informa que “toda operação policial que visa a prender traficantes deve ser mantida em sigilo, sob pena de comprometer sua eficácia”. Explica que esse sigilo se aplica inclusive aos assistentes sociais que prestam serviços ao município no local. De concordância com o consultor, “apesar das críticas dos assistentes sociais, o ocupação de entrada aos dependentes somente é viável quando não há traficantes por perto, como havia na Cracolândia” (e por isso a necessidade da operação policial). Sobre a internação compulsória, a assessorado diz que a Prefeitura só a defende nos casos em que há recomendação médica.

“Já levamos fardo de goma e explosivo de gás”, diz sócio social na Cracolândia – Blog do Paulo Sampaio

Fonte: https://paulosampaio.blogosfera.uol.com.br/2017/06/14/ja-levamos-fardo-de-goma-e-explosivo-de-gas-diz-sócio-social-na-cracolandia/