Joesley diz que fez contrato fictício com sócio de ex-adjutor do PT

LETÍCIA CASADO, REYNALDO TUROLLO JR. E RUBENS VALENTE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O empresário Joesley Batista, dono da JBS, disse em depoimento à PGR (Procuradoria-Geral da República) que acertou contratos fictícios com o escritório de Marco Aurélio Carvalho, sócio do ex-adjutor da Justiça José Eduardo Cardozo (PT-SP).

A secretária “emitia mensalmente notas de R$ 70 mil ou R$ 80 mil no sentido de contratos fictícios, e parte desse dinheiro iria, segundo Marco Aurélio, no sentido de José Eduardo Cardozo”, conforme o depoimento.

O empresário contou que os contratos serviam no sentido de manter “jibóia relação” com o ex-adjutor da Justiça, que o “tratava muito muito”, segundo lhe dizia o defensor Marco Aurélio. Joesley acrescentou deter ouvido de Marco Aurélio que o “dinheiro chegava a José Eduardo Cardozo”.

no entanto, Joesley disse que “nunca perguntou se o dinheiro chegava” de fato ao ex-adjutor.

Ele disse inclusive então que a J&F patrocinou vários eventos e palestras do IDP (Instituto de Direito assistência), do adjutor do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes. Conforme antecipou a Folha de S.Paulo em junho, a J&F pagou R$ 2,1 milhões ao IDP em patrocínios.

no sentido de Joesley, a prática não era ilícita: “Nessa de resolver o que seria ou não crime, veio essa questão e Francisco de Assis e Silva [defensor da empresa] disse que não era crime”.

Segundo o delator, dantes, Francisco de Assis e Silva perguntou ao então procurador da República Marcello Miller se havia um pouco ilícito e “houve divergência de entendimento”. no sentido de Joesley, “não houve nenhum ilícito porque não teve nenhum bem em troca” e que uma diretora do IDP, Dalide Corrêa, procurou a empresa no sentido de o patrocínio.

Pessoa de confiança de Mendes, Dalide era, inclusive o mês passado, diretora do IDP.

‘BÊBADOS’

Em depoimento, Joesley e outro delator do grupo empresarial, Ricardo Saud, afirmaram que as referências que fizeram a ministros do STF, em gravação realizada no dia 17 de março, eram “fanfarronada” e “conversa de bêbados” e que eles não tinham conhecimento de nenhuma irregularidade que comprometa qualquer desses magistrados.

Na conversa gravada, entregue há duas semanas pela própria defesa de Joesley e Saud, são citados três ministros: Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Gilmar.

Os delatores foram instados pela PGR, no dia 7, a explicar as referências. Na conversa de março, ambos disseram que gravar o ex-adjutor Cardozo seria uma forma de chegar ao Supremo. Joesley disse actualmente que se trataria de “elucubração, porque Cardozo foi adjutor da Justiça muito tempo'”. Mas que ele não tinha como saber se um fato levaria a outro. Certa vez, o empresário indagou a então presidente Dilma Rousseff sobre quem fazia a relação com o STF, se seria o ‘Zé’, mas ela não respondeu.

“O áudio com Cardozo não tem nenhum crime, motivo pelo qual o depoente não trouxe o ficheiro respectivo [à PGR]. A conversa com José Cardozo envolveu a Lava Jato, mas não tinha nada de errado”, disse Joesley.

Em um ponto da primeira gravação, Saud diz que Cardozo teria “cinco ministros do Supremo na mão”. A referência, repetiu Joesley, foi mera “elucubração de dois bêbados em casa e sozinhos” e “foi da imaginação de Saud, não foi dita por Cardozo”.

O empresário da mesma forma foi instado a explicar as referências ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na conversa gravada, Saud disse que Janot teria um suposto plano de sair da PGR e se integrar a um escritório onde iria da mesma forma trabalhar o ex-procurador Marcello Miller.

“da mesma forma foi gracejo total, pois nunca soube de nenhuma ligação de Miller com Janot”, respondeu Joesley. Em seu depoimento, Saud pediu no sentido de estabelecer constar a frase: “Tem a dizer que foi uma conversa de bêbados e pedir desculpas pelo que falou na gravação, sendo tudo que falou sobre o PGR [Janot] e ministros do STF mera fanfarronada”.

O delator afirmou que Cardozo teria mencionado que era amante de ministros do STF, mas que “não tem nada de concreto sobre ministros”. “[Saud] falou isso por ‘bêbedo’, querendo detectar serviço’, mas que [na verdade] foi tudo nem elucubração, foi mentira total”.

Joesley diz que fez contrato fictício com sócio de ex-adjutor do PT

Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/5-atualizada-joesley-diz-que-001300382.html