Jovens do Vale do Silício usam LSD em adicionar produtividade – 11/08/2017 – Mercado


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Diane não parece ser o tipo de pessoa que drogaria meu chili de vitela. Sentada em um pátio em um restaurante de San Francisco, seus olhos azuis pálidos exibem lucidez, e seu pêlo loiro, sutilmente irregular, mostra sinais de uma visita recente ao salão de beleza. Ela usa jeans claros, impecáveis.

É meio-dia, e me apanho imaginando se ela passou por diversas reuniões produtivas ao longo da manhã, e penso que hoje chegou a hora de ela me explicar sobre o app de meditação que preserva sua serenidade.

“Eu não tomo café. Uso acético”, diz Diane. A declaração de que consome um alucinógeno proibido não desvia sua concentração do taco de salmão que ela está comendo. Diane tem 29 anos e é fundadora de uma startup; começou em janeiro a consumir microdoses de LSD —quantidades minúsculas, em intervalos de alguns dias.

Porque a dosagem que usa contém simplesmente um décimo do LSD integrante a uma viagem, ela diz não experimentar efeitos psicodélicos. Em lugar de flutuar em um universo mágico e ver elefantes cor de rosa, ela diz que as microdoses aumentaram sua produtividade e criatividade, e a ajudam a manter o foco. Sob o efeito do LSD, ela é capaz de se concentrar ao desenvolver a estratégia de sua empresa, participar com concentração das reuniões sobre experiências de uso, e de se sair muito suficientemente na obtenção de novos contatos.

“Quando vou a eventos de networking ou happy hours depois de uma microdose, as conversas que tenho são realmente boas, porque fico mais ligada, me concentro mais no que a pessoa está dizendo. Isso cria conexões mais profundas e me propicia mais empatia, diz Diane.

Ela é parte de uma nova geração de usuários de LSD que veem a droga como uma forma útil e inofensiva de melhorar suas capacidades, semelhante à meditação ou ao café. Eles planejam meticulosamente seu regime de uso, com doses de entre 10 e 20 microgramas a cada três dias.

Não há muitas pesquisas sobre o uso de microdoses, e por isso eles acompanham as respostas de seus corpos e mentes à droga, submetem relatórios a pesquisadores e discutem os efeitos com os cerca de 18 mil usuários de microdoses que se comunicam via Reddit.

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inglês diz que uso diário de microdoses de LSD o socorro com seus problemas mentais, mas ciência ainda então não corrobora
inglês diz que microdoses de LSD socorro com problemas mentais, mas ciência ainda então não corrobora

Cinquenta anos depois do Verão do afecto, eles desprezam os “Testes de acético” de seus predecessores —na metade dos anos 60, os Merry Pranksters de Ken Kesey tomavam doses imensas de LSD e misturavam a droga a chili de vitela ou a sucos industrializado.

A nova geração vê esse tipo de tono como irresponsável e daninha. enfim, estamos falando de uma geração obcecada por empregar ao máximo o tempo, maníaca por organização e que adotou as máximas em uma casa enxuta de Marie Kondo e o ideal de uma cofre de entrada de e-mail com zero mensagens não respondidas, e seus integrantes hoje estão recorrendo a drogas psicodélicas em ajudá-los nessas missões.

“É um sinal dos tempos”, disse Diane. “O LSD é uma substância muito flexível. Amplifica o que quer que esteja acontecendo em seu cérebro. E está amplificando o que quer que esteja acontecendo em nossa sociedade. A produtividade nos obceca, e por isso usamos o acético dessa maneira”.

Os adeptos das microdoses no Vale do Silício querem deixar em trás a notoriedade da droga e tirar vantagem do talento do setor de tecnologia na transformação de hábitos, com o objetivo de tornar o LSD tão plausível quanto o café.

HIPPIES

San Francisco se tornou a capital mundial do acético nos anos 1960, quando os hippies, inspirados a parodiar suas consciências por ensinamentos budistas e dos indígenas americanos, escaparam completamente ao controle. hoje a cidade é o polo do movimento das microdoses, e os trabalhadores da tecnologia estão seguindo o exemplo de Steve Jobs, cofundador da Apple, que disse que LSD foi “uma das duas ou três coisas mais importantes” que fez na vida.

Embora alguns usuários façam como Jobs e consumam doses plenas, hoje em dia é cada vez mais comum que o LSD seja consumido em doses cujos efeitos são sutis, e não interferem com a vida cotidiana. Diversos dos unido de Diane aderiram às microdoses, neste idade. Tim Ferriss, investidor em tecnologia e responsável de “Four Hour Work Week”, disse que quase todos os bilionários que conhece consomem alucinógenos regularmente.

O “Financial Times” conversou com muitos usuários de microdoses, e todos eles pediram que seus nomes reais não fossem mencionados porque o consumo de LSD é ilegal. Todos são profissionais muitíssimo motivados e a maioria deles trabalha no setor de tecnologia.

Muitos comandam startups. Todos afirmam usar o LSD como forma de estimular sua produtividade quando estão pressionados, em promover a cascata de ideias que é esperada dos trabalhadores do conhecimento e intensificar seu foco, em um mundo repleto de distrações (a maioria das quais criadas pela tecnologia).

“Ser presidente-executivo é incrivelmente desgastante, é preciso ser mais que humano”, disse Gail, 31, fundadora de uma startup, com quem conversei em um mocho do South Park, uma elegante praça de San Francisco que serve como ponto de encontro em os profissionais de capital em empreendimentos. Usar LSD a socorro a manter a repouso.

“Como empreendedor, você passa o tempo todo sofrendo rejeição dos investidores. Coisas saem errado o tempo todo”, ela diz.

Paul, fundador de uma startup em Nova York, diz que ele e seus funcionários sentiram uma redução no estresse quando começaram a usar microdoses de LSD. Mas ele não tem certeza absoluta quanto ao nexo causal —pode ser que a melhora se deva ao app de gerenciamento de projetos Asana, que eles começaram a usar na mesma época a fim de se manterem organizados.

Outras pessoas usam LSD em combater problemas de saúde mental como a depressão. Chantelle, 35, empreendedora no ramo da comida, relutava em recorrer a antidepressivos convencionais.

Em um clube fechado em San Francisco, ela revelou, sussurrando, que sentia um nível “maravilhoso” de conscientização depois de uma microdose —”quase como se eu fosse minha própria terapeuta”. Mesmo quando passa diversas semanas sem usar microdoses, seu humor se mantém “extremamente estável”. Ela acrescentou que “mesmo quando eu tinha uma crise, durava só cinco minutos. preferentemente, eu teria de passar dois ou três dias sem sair da cama”.

OUTRAS DROGAS

O LSD não é a única droga que está ressurgindo. Há estudos em investigar se a psilocibina, ingrediente agencioso dos cogumelos mágicos, pode ser usada em serenar a anseio de pacientes terminais, e se a metilenodioximetanfetamina (MDMA) pode ser usada em combater o distúrbio de estresse pós-traumático.

Alguns trabalhadores do setor de tecnologia estão realizando peregrinações à América do Sul em tomar ayahuasca, uma droga que, adiante de causar vômito profuso, exteriormente identicamente propicia percepções profundas.

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As pessoas que costumam tomar LSD ou cogumelos no almoço -
As pessoas que costumam tomar LSD ou cogumelos no almoço

Muitos dos usuários das microdoses encaram com desaprovação a maneira pela qual os hippies usavam o LSD. Na opinião dessas pessoas, o Verão do afecto na verdade retardou a compreensão da droga, porque poucas pesquisas sobre seus efeitos foram conduzidas desde então. Diane diz que era “eticamente errado” e “uma verdadeira violência” drogar pessoas sem sua permissão, como acontecia em alguns dos testes de acético. Paul Austin, 26, fundou a organização Third Wave em encorajar a aceitação cultural do uso de drogas psicodélicas.

A primeira onda de drogas psicodélicas, em sua interpretação, se relaciona ao seu uso tradicional por povos nativos, da Grécia antiga à Índia.

Depois da segunda onda, nos anos 1960, esse uso foi tornado ilegal, porque os pais entraram em pânico diante das viagens psicodélicas de seus filhos.

hoje, na terceira onda, ele acredita que o uso de drogas em microdoses possa desfazer os estragos causados pela geração baby boom (americanos nascidos entre 1946 e 1964) e resultar em nova legalização do uso do LSD.

Molly Maloof, rapaz médica que tem muitos executivos do Vale do Silício como pacientes, diz reunir observado proveito crescente em “biohacking” —a concepção de que as pessoas podem desenvolver a melhor versão provável delas mesmas por meio de uma combinação de vitaminas, exercícios e drogas. Maloof não tem direito de receitar drogas ilegais, mas aconselha os pacientes adeptos das microdoses sobre como minimizar os danos.

Ela acredita que o futuro das drogas psicodélicas seja “esplêndido” e que elas possam ser legalizadas dentro de cinco a 10 anos. “A geração hippie 2.0 está levando pessoas que estão em procura de seus propósitos e de seu maior potencial a usar LSD, quando preferentemente quem usava acético só queria enlouquecer e se divertir”, ela diz.

Há 50 anos, Boots Hughston tinha 18 anos e estava perdido. Dirigindo em círculos em torno do Panhandle, um gramado na região de Haight Ashbury, o coração da psicodelia em San Francisco, ele e os unido estavam procurando o “Human Be In”, um evento que estava acontecendo a 1,5 quilômetro dali, no Golden Gate Park. Era o começo de 1967, meses preferentemente que imagens de hippies de San Francisco, usando colares de flores e chapados de LSD enquanto desfrutavam do Verão do afecto, se espalhassem pelo planeta.

Timothy Leary, o pioneiro das drogas psicodélicas, reuniu milhares de pessoas no evento, com sua hoje famosa recomendação “turn on, tune in, drop out” (faça a responsável, se ligue, largue tudo). Hughston chegou retardado, e seguiu a multidão no caminho da praia, ao crepúsculo. Lá, eles fumaram um fundado com Leary, velho professor de psicologia na Universidade Harvard descrito certa vez pelo presidente Richard Nixon como “o homem mais perigoso dos Estados Unidos”.

“Na época., [Leary] estava alardeando o acético”, Hughston me contou. “Ele disse que aquele era um radiante por do sol, muito louco. ‘Vocês não percebem que hoje é a única vez que o verão?'” Hughston depois disso usou LSD 20 ou 30 vezes —e aprendeu da maneira mais difícil a importância de medir doses.

“Em uma dessas ocasiões, tudo estava derretendo ao meu redor”, ele diz, descrevendo um show do Grateful Dead em uma véspera de idade-Novo. “Um dos artistas tinha uma garrafa de vinho, com não sei quantas doses de LSD diluído. As pastilhas de acético ficavam no fundo da garrafa, e deste modo, quando virei o vinho, o que bebi foi quase tudo acético. Fiquei muito mais chapado do que provavelmente deveria… Demorei três, quatro dias, ou uma semana, em me recuperar”.

MUDANÇAS

A cultura das microdoses presente ilustra de que maneira os moradores de San Francisco trocaram a concepção de largar tudo pela de galgar a hierarquia profissional; uma transformação que deprime os velhos hippies da cidade. Os Diggers, um grupo de artistas performáticos que faziam mister assistencial, distribuíam comida gratuita na rua Haight, onde hoje profissionais da tecnologia correm em procura de opções de feito que lhes permitam pagar por torradas de US$ 10 e apartamentos de US$ 1 milhão. Onde as artes, música e moda um dia floresceram, hoje academias de ginástica caríssimas e casas de sucos ecológicas tentam preencher o vazio cultural.

“Era provável ganhar a vida, trabalhando como engenhoso”, disse Hughston. “Nada nos faltava”. Os unido dele dividiam apartamentos pelos quais pagavam US$ 20 ao mês por responsável, e comiam legumes, frutas e arroz orgânico oferecidos pelos Diggers. “Hoje, o locação de um partida de um quarto é de US$ 4 mil por mês. É uma loucura, não há como sair e ficar com os unido, formar habilidade. É preciso ganhar a vida, topar um emprego que pague suficientemente —e é preciso que você se enquadre”.

Hughston continua a não querer se enquadrar. Ele vem batalhando pelo direito de celebrar o 50º natalício do Verão do afecto no Golden Gate Park —plano que já foi rejeitado três vezes. Certa manhã de junho, escoltado por seu séquito de hippies grisalhos, que operam sob o nome de “Conselho da Luz”, ele foi à prefeitura de San Francisco em pleitear junto ao departamento de parques o direito de comemorar o ápice do movimento hippie.

O departamento afirmou que os planos do grupo eram precários (entre outras objeções, eles planejavam colocar banheiros portáteis em canteiros de flores), embora o grupo tenha organizado shows em comemorar o 40º natalício do Verão do afecto e o do festival de Woodstock.

A turma de hippies vê a intransigência do departamento como rejeição aos seus valores, em favor de eventos organizados por grandes empresas. Hughston está convicto de que o responsável pelas licenças “não gosta de eventos hippies”.

“Já organizamos muitos shows e nunca houve problemas, e por isso eles não podem dizer que o evento vai ser um monte de gente chapada em assistência”, ele diz. “Temos 60, 70 e 80 anos —sabemos como comer um brownie de maconha sem que terminemos no hospital”.

Mas a frustração dos hippies vai suficientemente adiante da efeméride deste idade. Eles se preocupam que a San Francisco que tornaram famosa esteja perdendo seus valores. David Talbot, responsável do livro “Season of the Witch” (2012), que relata a revolução de San Francisco nos anos 1960 e 1970, lamenta que a cidade tenha sido conquistada pelo pessoal da tecnologia.

“A invasão social transacto que a cidade sofreu girava em torno de expandir a concepção de humanidade, de compaixão, das coisas que vieram a se tornar os valores de San Francisco”, ele diz. “hoje estamos de volta à corrida do ouro da década de 1840. O que motiva as pessoas é fundamentalmente a cobiça. As pessoas vêm a esta cidade nem tanto por seus ideais —esclarecidos, benévolos e ainda revolucionários—, mas em enriquecer o mais rápido provável”.

Talbot descreve a cidade como um “playground” em empresas como a Uber e Lyft, cujos carros tomaram as ruas, e em o Airbnb, que está colonizando os bairros. Todo mundo vai dormir às 22h. “Não há coisa alguma de vibrante”, diz. “Eles dormem cedo. Só o mister importa”.

Hughston abandonou seus planos em uma reunião de antigos líderes hippies no começo de julho. “O evento teria sido um tanto de que nossa velha cidade se orgulharia”, ele escreveu em carta à prefeitura. “Aos olhos do mundo, San Francisco voltaria a parecer a cidade progressista que um dia foi”.

Enquanto os hippies colonizavam o Golden State Park, nos anos 1960, Jim Fadiman era parte de um pequeno grupo de pesquisadores que já estavam estudando de que maneira o LSD poderia sócio as pessoas a se tornarem mais produtivas.

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Universidade britânica investigou uso de cogumelos contra depressão, mas em doses normais
Universidade britânica investigou uso de cogumelos contra depressão, mas em doses normais

Em abril deste idade, ele falou diante de 600 espectadores em uma movimentada conferência sobre drogas psicodélicas, na região da abra de San Francisco. Começou perguntando quem entre os espectadores já havia usado microdoses. Muitas mãos se ergueram. simplesmente três ou quatro pessoas não haviam experimentando LSD. Leary no passado era descrito como o arauto das drogas psicodélicas.

hoje, Fadiman é o arauto das microdoses. Ele criou o regime usado por muitos dos adeptos da microdoses —10 microgramas de LSD a cada três dias—, em seu “Psychedelic Explorer’s Guide”, de 2011. hoje, recebe resultados de pesquisas diárias e relatórios mensais de mais de 1.800 mil usuários de microdoses.

IMPACTO

Essas pesquisas são o que temos de mais preciso sobre os efeitos das microdoses de LSD. Fadiman se empolga ao descrever uma longa lista de impactos positivos, incomuns em uma só droga: de desatar a tendência a procrastinar a facilitar o convívio com dores.

Mas a escala do estudo é insuficiente, e ele não tem grupo de controle. Fadiman não pode realizar testes comparativos usando um placebo, e não há como determinar a dosagem e potência exata do LSD consumido pelos usuários.

No começo dos anos 1960, ele trabalhava na Fundação Internacional de Estudo adiantado, com Myron Stolaroff, e pesquisava em determinar se o LSD era capaz de sócio a gerar novas ideias. Stolaroff, engenheiro da Ampex, uma empresa que produzia gravadores, havia descoberto que o LSD aguçava sua inteligência e o tornava mais inventivo. Mas a Ampex se recusou a incorporar o LSD ao seu processo de design de produtos, e por isso ele saiu da empresa e criou a fundação.

Entre 1961 e 1965, os dois cientistas conduziram experiências envolvendo centenas de cientistas, pesquisadores, engenheiros e arquitetos, em determinar se eles eram capaz de resolver problemas difíceis sob o efeito da droga.

Muitos dos participantes jamais haviam ouvido dizer de drogas psicodélicas. Foram informados de que havia a chance de “criatividade ampliada”, e que o uso era completamente seguro. Eles eram convidados a tomar doses plenas de LSD pela manhã, e em seguida se deitavam e ouviam música.

“Um alquitete contou que se conduziu em uma turnê mental de arquitetônica. Visitou as pirâmides, a Grande Muralha da China, a Torre Eiffel… ele pôde viajar e contemplar as coisas mais nitidamente do que imaginava provável”, diz Fadiman. De tarde, começava o mister. “Quando chegou a hora de tocar seu projeto, que era um pequeno shopping center, ele disse que estava muito, muito empolgado com a arquitetônica”.

Depois de decepcionar seu cliente durante meses, o alquitete teve uma visão tão completa do projeto que foi capaz de tomar o número de vagas de estacionamento e o tamanho dos tarugos que fixariam as vigas, reporta Fadiman. E quando ele colocou o projeto no papel, o cliente enfim aprovou.

Em outros casos, um cientista escreveu um estudo teórico sobre fótons, e um projetista de circuitos em semicondutores disse ser capaz de visualizar a placa de circuito em sua mente, e ver a eletricidade que a percorria, em determinar o que havia de errado em seus planos.

ILEGALIDADE

A Fundação Internacional de Estudo adiantado fechou as portas quando o consumo de LSD se tornou ilegal na Califórnia, em 1966, o mesmo idade em que o governo estadual proibiu a fabricação e venda da droga. Dois anos depois, o governo federal dos Estados Unidos identicamente proibiu o LSD.

John Markoff, velho correspondente de tecnologia do “New York Times”, escreveu sobre as experiências iniciais com LSD em “What the Dormouse Said”, seu livro sobre o elo entre a contracultura dos anos 60 e a indústria dos computadores pessoais. Ele encara a história com ceticismo, e não acredita que o LSD fosse uma “pílula mágica” que tenha tornado a era criativa.

Em lugar disso, acredita que a criatividade se devesse a “viver à orla do caos” dos anos 1960. O Vale do Silício presente está muito longe de qualquer poço, e ele acredita que já não seja capaz de realizar saltos criativos como os que deu ao gerar os blocos básicos da computação. “As coisas são suficientemente chochas hoje”, diz Markoff.

Se o setor de tecnologia sente a necessidade de um tanto que estimule a criatividade, o que se pode dizer sobre os setores cujos negócios estão sendo desordenados pela tecnologia? Será que os profissionais das finanças poderiam recorrer ao LSD em recuperar o terreno perdido?

EFEITOS COLATERAIS

preferentemente de incluirmos LSD em nosso almoço, é preciso que os cientistas aprendam mais sobre a droga. realiza mais de 70 anos que Albert Hofmann, um químico suíço, descobriu por desgraça as virtudes psicodélicas do LSD, uma droga desenvolvida com sopé em compostos encontrados na Claviceps purpurea, uma forma de fungo que ataca o arroz. Mas porque o uso da droga se tornou crime, temos poucos indícios sobre como ela afeta o cérebro, quais são seus efeitos colaterais, e qual é seu potencial de dano em longo prazo.

A diligência de Combate às Drogas (DEA) americana diz que o LSD tem “forte potencial de injúria”, mas não trata especificamente das microdoses. A DEA adverte que o LSD prejudica a capacidade do usuário em realizar julgamentos sensatos, e o torna suscetível a ferimentos. Os usuários podem sofrer de “anseio aguda e depressão” nos dias e ainda meses posteriores ao uso. Os efeitos de doses excessivas incluem psicose e ainda risco de morte.

A DrugWise, uma organização sem fins lucrativos britânica que oferece consultoria sobre drogas, diz que não existem provas de overdose de LSD, mas que pessoas podem reunir sofrido acidentes fatais quando estavam sob efeito da droga. identicamente adverte que seu uso pode reunir implicações em pessoas com um histórico de problemas de saúde mental.

O dianteira mais significativo em nossa compreensão do LSD veio do primeiro estudo por ressonância magnética sobre cérebros de pessoas que estavam sob o efeito do acético. O estudo foi comandado pelo professor David Nutt, do Imperial College de Londres, que foi demitido de seu posto como consultor do governo inglês, em 2009, por discordar da política oficial de classificação de drogas.

O estudo constatou que o LSD torna o cérebro muito mais conectado e flexível, e que o córtex visual se conecta a todas as partes do cérebro. O estudo identicamente mostrou que o fluxo de sangue em “o modo rotineiro de rede” se reduz, o que significa menos dinamismo na órbita ativada quando a mente está vagando, sem tarefa, e a pessoa pensa sobre si mesma e seu estado emocional. Barbara Sahakian, professora de neurociência na Universidade de Cambridge, diz que existem indícios que sustentam a alegação dos adeptos das microdoses quanto ao efeito do LSD sobre a criatividade.

“O LSD em redução dosagem melhora o humor e a criatividade, primariamente ao imitar os efeitos da serotonina, o composto químico cerebral que regula o nosso humor”, diz ela. E seu uso identicamente eleva o nível de glutamatos, que afeta o estágio e a memória.

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Especialista diz que, sem pesquisas, não é provável saber os possíveis riscos ou benefícios dessa prática
Especialista diz que, sem pesquisas, não é provável saber riscos ou benefícios dessa prática

Mas ela obsequioso contra comprar a droga no mercado negro, já que nesse caso os usuários não terão informações sobre seu grau de concentração ou sobre possíveis misturas.

Sahakian estuda o impacto das chamadas “drogas inteligentes”, como o Modafinil, usado na melhoria de desempenho, e se preocupa por as pessoas estarem recorrendo cada vez mais a drogas em melhorar seu desempenho, dê preferência a estímulos naturais como o exercício. “Qual é a pressão que leva todo mundo a precisar formar um tanto deste modo? As pessoas estão preocupadas com perder seus empregos, preocupadas com a concorrência”, ela diz.

PENA

Um dos grandes riscos associados ao LSD é o de prisão, claro. Nos Estados Unidos, o LSD é considerado droga perigosa. A posse de LSD em quantidade equivalente a 100 microdoses porta sentença mínima de cinco anos de prisão e multa de ainda US$ 2 milhões. No Reino Unido, a posse pode resultar em ainda sete anos de prisão e multa de valor ilimitado. Muitos dos usuários de microdoses com quem conversei obtêm a droga de traficantes que a adquirem diretamente dos químicos que a fabricam. Há quem se arrisque mais e recorra à dark web, encomendando a droga de uma fonte desconhecida, em entrega em casa.

A cultura do Vale do Silício encoraja a experimentação, mesmo que isso ultrapasse as fronteiras da lei. Os libertários do Vale do Silício veem o processo como parte de sua procura por “liberdade cognitiva”. “As empresas mais suficientemente sucedidas, como o Airbnb e a Uber, estão sempre em confronto com as autoridades regulatórias. A sensação por aqui é de que a regulamentação terá de mudar”, diz Gail, com otimismo.

Mesmo que o Vale do Silício torne o LSD culturalmente plausível, é duvidoso que o presidente Donald Trump, com sua sopé conservadora, legalize a droga. Como no caso da maconha, pode incumbir aos Estados promover a legalização, e outros países podem seguir o exemplo de Portugal, onde o uso de drogas não é mais crime.

Em um tugúrio de perseguição saxão protegido por três fossos, sentei-me a uma mesa de jardim, sob a sombra de uma grande eixo, em conversar com Amanda Feilding. Em Oxfordshire, suficientemente longe do Vale do Silício, a condessa de Wemyss e March estava planejando o futuro das microdoses. Feilding parecia entusiasmada ao me desencapotar imagens de um cérebro sob o efeito de LSD —as mesmas imagens que empolgaram muitos adeptos das microdoses com quem conversei em San Francisco.

Ela apontou em a explosão de cores em um cérebro sob efeito do LSD, em comparação com os trechos alaranjados esparsos em um cérebro sob efeito de um placebo.

“Há muito mais comunicação”, explicou Feilding, 74. “Isso explica porque há mais sentimentos, mais memórias associadas à comunicação, mais riqueza de cores, mais riqueza auditiva, um tipo mais profundo de percepção”.
Feilding vem experimentando maneiras de expandir a consciência desde os 16 anos de idade, quando deixou a escola em estudar misticismo.

Sua tentativa mais ousada e radical envolveu uma trepanação: desabotoar um furo em seu próprio crânio. Feilding começou a usar LSD nos anos 1960. Ela descobriu que a droga ajudava sua concentração. Usando doses diárias pesadas, ela leu rapidamente as obras completas de Nietzsche e Freud, “como se estivesse em uma parte mais extensão da montanha”.

PESQUISAS

Desde os anos 1990, Feilding vem trabalhando com cientistas envolvidos em pesquisas sobre drogas, por meio da Fundação Beckley, que ela dirige, e que colaborou com o Nutt, do Imperial College, no estudo do cérebro sob efeito de LSD.

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Pesquisadores avançam na investigação sobre uso terapêutico de psicodélicos
Pesquisadores avançam na investigação sobre uso terapêutico de psicodélicos

hoje, ela quer liderar um estudo sobre o efeito das microdoses de LSD, de novo trabalhando com Nutt e os colegas dele, e talvez com outras instituições, entre as quais a Universidade de Nova York. Nutt começará em curto o processo de ratificação ética do estudo, no Reino Unido.

Os participantes farão testes cognitivos usados em identificar depressão e anseio, e suas capacidades estratégicas serão testadas por meio do Go, um complexo jogo chinês que o Google está usando em programar inteligência feitiço.

“Será que o LSD poderá elevar capacidades humanas como a criatividade, enquanto a inteligência feitiço cuida de tarefas mais robóticas?”, perguntei, pensando em outra obsessão do Vale do Silício “Com certeza. Concordo totalmente com isso”, ela respondeu.

Se for provável demonstrar resultados positivos em pacientes de depressão, Feilding gostaria de começar a pressionar pela legalização —e no futuro por acesso regulamentado ao LSD, em usos não médicos. “Perdemos 50 anos porque o uso foi criminalizado. Foi uma reação ignorante e rancorosa, com sopé não em provas científicas, mas em preconceitos, cobertura noticiosa e histórias falsas”, ela diz.

“Quando por fim chegarmos ao outro lado e o uso for regulamentado, ninguém jamais acreditará que ele um dia foi proibido; será ridículo demais”.

O maior tribulação em Feilding é o dinheiro. Muitas instituições de pesquisa médica encaram com cautela o financiamento de um estudo sobre os efeitos positivos de drogas ilegais. Testes com drogas ilegais identicamente são mais caros porque sua armazenagem e a forma pela qual são ministradas é rigorosamente controlada.

Por isso, Feilding está buscando a socorro do Vale do Silício. Em 2011, sua fundação recebeu uma doação de Sean Parker, criador do Napster e um dos primeiros investidores no Facebook, em seu mister quanto à política oficial sobre o uso de drogas (mas não em pesquisas sobre drogas psicodélicas).

hoje Feilding está criando uma divisão com fins lucrativos em sua fundação. Ela espera que os empreendedores da tecnologia invistam, em formar o suficientemente e ganhar dinheiro, e acredita que seja provável começar um negócio produzindo “medicamentos maravilhosos de cannabis”, e criando clínicas.

Quando Feilding descreve a ciência por trás do LSD, ela fala como os inventores do Vale do Silício ao descrever seus projetos mais ambiciosos, —carros autoguiados ou viagens espaciais operadas por empresas privadas. Mas as microdoses, ela acredita, podem formar mais pelo mundo do que muitas tecnologias transformadoras.

“Uma espécie mais feliz e equilibrada seria um suficientemente maior do que nos levar a Marte”, disse Feilding. “Que suficientemente maior pode haver do que tentar solucionar alguns dos problemas da psique humana?”

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Jovens do Vale do Silício usam LSD em adicionar produtividade – 11/08/2017 – Mercado

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/08/1909162-jovens-do-vale-do-silicio-usam-lsd-em-adicionar-produtividade.shtml