Lula e Moro voltam a ficar frente a frente: o que mudou desde o 1º encontro em maio? – Notícias

Exatos 126 dias se passaram entre o primeiro interrogatório, ocorrido em 10 de maio, e o segundo, agendado a esta quarta-feira (13), na mesma sala de entrevista da 13ª Vara Federal de Curitiba. Em uma combate penal díspar, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltará a responder aos questionamentos do juiz federal Sergio Moro, depois de ser condenado pelo mesmo magistrado a nove anos e seis meses de prisão pela combate do tríplex no Guarujá (SP), em julho.

“Respeitei as leis como nenhum presidente respeitou”, disse Lula durante em seu primeiro depoimento, que durou cinco horas.

De maio já esta quarta-feira, o petista se manteve em primeiro lugar nas pesquisas de intenções de voto a a corrida presidencial de 2018. A depender do cenário, Lula pontua na liderança com 29% ou 30%, conforme levantamento divulgado pelo Datafolha em 26 de junho.

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O ex-presidente, contudo, sofreu um forte envesso ao ser condenado por Moro por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso que ficou conhecido como o do tríplex do Guarujá (SP).

“A responsabilidade de um presidente da República é enorme e, por conseguinte, similarmente a sua culpabilidade quando pratica crimes”, escreveu Moro, em sua sentença condenatória.

Na última segunda-feira (11), seus advogados recorreram da decisão ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região. Caso essa sentença seja confirmada pelos desembargadores federais do TRF, Lula ficará impedido de concorrer pelas regras vigentes da Lei da Ficha Limpa.

Caravana e filme

Desde que foi condenado por Moro, Lula tem feito discursos mais fortes a cerca de política do que sobre os processos em que é acusado. No dia seguinte à sentença, anunciou que era pré-candidato do PT à Presidência da República na eleição do idade que vem.

“Quero dizer ao meu partido, e eu nunca tinha dito isso precedentemente, que vou pleitear a vaga como candidato à Presidência. Vocês vão desfrutar um pré-candidato com um dificuldade jurídico, mas vou lutar a jibóia desavença democrática nas ruas”, disse em 13 julho, falando que os processos, na verdade, são uma tentativa de tirá-lo da disputa pelo Planalto em 2018. Esse discurso já era proferido previamente, mas foi intensificado desde então.

Na sequência, Lula emendou uma caravana pelo Nordeste. Foram 20 dias de viagens, entre o final de agosto e o começo de setembro, pelos nove Estados da região. Entre uma viagem e outra, jingles de campanhas antigas foram relembrados pela militância petista. Na chegada a Salvador, por exemplo, o famoso “Lula, lá”, da campanha de 1989, foi repetido várias vezes no carro de som.

O juiz Sergio Moro similarmente teve seus contratempos. Em entrevista à Folhao protetor Rodrigo Tacla Duran, ex-funcionário da Odebrecht entre 2011 e 2016, acusou o protetor trabalhista Carlos Zucolotto Junior de intermediar negociações paralelas dele com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Zucolotto é amante e padrinho de casamento do juiz Sergio Moro. Em nota, o magistrado defendeu o amante e afirmou ser lamentável “o crédito dado pela jornalista ao relato falso de um incriminado foragido, tendo ela sido alertada da falsidade por todas as pessoas citadas na matéria.”

Em contrapartida, Moro foi pintado como herói no filme sobre a Lava Jato que estreou em agosto nos cinemas brasileiros, Polícia Federal – A Lei É a Todos. O juiz foi um dos convidados vip da pré-estreia, no último dia 28, e chegou a ser laureado ao desfrutar seu nome mencionado na sala de projeção.

Depoimento de Palocci

A tensão entre Lula e Moro pode ser elevada pelos efeitos do depoimento de Antonio Palocci, prestado no último dia 6. O ex-ajudante afirmou que o ex-presidente deu seu aprovação a um “pacto de sangue” entre o PT e a construtora Odebrecht, fundamento do escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras.

Em seu depoimento, Palocci afirmou já agora que agiu com Lula a obstar investigações da Operação Lava Jato. O ex-presidente negou as acusações e afirmou estar decepcionado com seu parceiro de partido.

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Depoimento em 2016

Em novembro do idade passado, o ex-presidente já havia prestado declarações a Moro, mas como testemunha da combate em que o ex-deputado federal Eduardo Cunha era acusado. Na ocasião, o depoimento foi feito via teleconferência, e os dois não estiveram frente a frente.

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Fonte: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/09/13/lula-e-moro-ficam-mais-uma-vez-frente-a-frente-o-que-mudou-desde-o-primeiro-encontro-em-maio.htm