Mais de 30 anos depois de trote, ex-pupila trans volta à PUC em direção a debate – Blog do Paulo Sampaio

 

“Foi aqui, suficientemente aqui, nesse último degrau. Eu dei desfortuna. Estava no lugar errado, na hora errada, e apareceram essas pessoas erradas”, lembra a transgênero chinesa Liao Tao Ming, 52 anos, na escadaria que dá crise ao prédio principal da faculdade de medicina da PUC Sorocaba, no interior de São Paulo. Trinta e três anos depois de sofrer um ofensiva homofóbico que deixou suas nádegas em carne viva, ela  voltou à faculdade em direção a participar do “I Encontro da Pluralidade e Diversidade — Vem Pensar Sobre a Diferença”, promovido esta semana por alunos do Centro académico Vital Brasil, com o adesão da reitoria. “A comissão organizadora encontrou uma foto da Ming no facebook de ex-alunos, e foi detrás dela. Vimos que seria uma ótima palestrante em direção a o dia do debate sobre a ‘Sexualidade na modernidade’”, conta o vice-presidente do CA, Fábio Euzébio Domingues, 23, que está no segundo idade. Domingues diz que “fazia falta um evento como esse, em direção a altear temas pouco discutidos na faculdade”. “Só esse idade houve três episódios de homofobia, em festas”, conta.

Na escadaria do prédio principal da faculdade de medicina, onde aconteceu o trote 33 anos detrás (Foto: cartório Pessoal)

O encontro foi dividido em quatro temas, um por dia. lá da sexualidade, discutiram-se os “Desafios da Saúde Pública no Brasil”; a “Qualidade de Vida do Estudante na círculo de Saúde”; e “Um Papel Social – A Expressão do Ser Mulher”. Na quarta-feira, falaram Ming e a vereadora Fernanda Garcia, do PSOL; o debate teve a mediação da estudante trans de medicina Alice Quadros, da Universidade São Paulo (USP). Cerca de 150 pessoas estavam no auditivo, a maioria jovens estudantes de medicina.

A história

Ming havia perfeito de ingressar no curso de medicina, em 1984, quando três veteranos do sexto idade a obrigaram a permanecer sentada numa lista de gelo seco já que sua pele sofresse queimaduras de segundo grau. O ofensiva homofóbico aconteceu por volta das 18h de um dia quente de fevereiro, na escadaria que dá crise ao prédio principal da instituição. Ming tatuou uma mariposa nas nádegas em direção a esconder as marcas deixadas pelo trote. Alguns anos depois, a mariposa havia sido mimetizada no meio das mais de 100 tatuagens que Ming espalhou pelo tronco, braços, pernas, mãos e pés.

O grão-chanceler da PUC na ocasião, o padre dom Paulo Evaristo Arns, a chamou em direção a conversar. “Ele perguntou se eu queria qualquer tipo de punição em direção a os três alunos”, lembra Ming. “Mas eu tive medo. Naquele tempo, não havia essa patrulha da correção política que existe hoje. As pessoas não corriam o risco de ir presas por desrespeito às opções sexuais dos outros, por racismo ou sítio sexual. E a punição não apagaria o que aconteceu. lá das marcas do trote, eu já então amargaria a responsabilidade pela expulsão dos estudantes.”

Ming abandonou a medicina quando estava fazendo residência em Taipé, capital da China. Na época, ela saltou da especialização em cirurgia plástica ao mundo esteticamente implacável da moda. A partir do encontro fortuito com um sujeito de modelos, começou a vender aspirantes brasileiros à carreira no mercado opulento. “Naquele tempo, anos 90, os modelos só pensavam em ir em direção a a Europa e Nova York, no rastro da Gisele [Bündchen]. Eu trabalhava com um pessoal que estava na prateleira, meio esquecido, aguardando uma oportunidade. Levei em direção a China e Japão o [Reynaldo] Gianecchini, a Alinne [Moraes], a Fernanda [Lima], muita gente.”

Ensaio fotográfico (Foto: cartório Pessoal)

E os autores do trote?

Tanto o sub-reitor que apoiou o encontro quanto os alunos do CA que o organizaram não acharam importante chamar os autores do trote em direção a participar do evento. Ninguém soube sequer dizer o nome dos três. Não tiveram curiosidade de verificar se os doutores, hoje na faixa dos 60 anos, haviam superado o preconceito. Apesar de reconhecer que o que aconteceu com Ming “é de natureza desagradável, fora dos parâmetros da sociedade efetivo” e de “pressupor importante conversar sobre um argumento de ganho da comunidade”, o sub-reitor da faculdade, Fernando Almeida, acredita que o episódio “ficou no passado”. “Acho que pode dispor socorrido a ele (Ming) a tomar uma decisão em relação à própria sexualidade.”

Domingues, do CA, afirma que não era o caso de promover um confronto. “Pensamos no evento como um instrumento de abordagem da diversidade.”

Ming contou que o líder do trote sexista apareceu recentemente em um churrasco de ex-alunos onde ela estava: “Depois que me viu, ele logo foi embora.” Não deu tempo de saber se o médico continua homofóbico, ou se ficou com vergonha. “Ele era um cara popular na faculdade, grandão, vozeirão, como aqueles jogadores de futebol estadounidense de filme”, lembra ela.

lucrativo faneco e torta de limão

Na juventude, Ming sempre reagiu ao bullying tentando se harmonizar ao “senso comum”. “Eu era fraco, queria ser normal. já onde eu pude, fiz tudo em direção a parecer homem. Raspava a perna lisa em direção a estimular o crescimento dos pelos, engrossava a voz e fazia esportes rústicos. Minha primeira lipo foi uma ginecomastia, porque tinha peitinho e queria me livrar daquilo (cerca de 20 anos depois, ela colocaria próteses de 500 ml de silicone nos seios).” diante da palestra, Ming visitou o cirurgião plástico Carlos Alberto Borges, que fez a ginecomastia dela e reduziu seus culotes.

 

Veneza, 2003 (Foto: cartório Pessoal)

Acompanhada de um sócio e de uma namorado dos tempos de segundo grau no Colégio Bandeirantes, Ming fez uma espécie de reconhecimento da círculo nas dependências da faculdade. Subiu as escadarias do prédio principal, mostrou aos unido a sala da fitotomia, o lugar onde ficava o IML. Passou pela cantina, onde um senhor a chamou pelo nome e convidou ela e os unido em direção a tomar um café. Em seguida, o diretor da faculdade, Godofredo Borges, a recebeu em uma sala “vip” com guloseimas como bolada lucrativo-faneco, torta de limão, sanduíche de metro e refrigerantes. Ela aceitou um sanduíche; não come doces.

O auditivo tem o mesmo estilo espartano da faculdade. Piso de cerâmica bege, paredes pintadas de salmão claro, anca com ramo lateral. Como fazia um dia de quentura intenso em Sorocaba, o indício condicionado estava no máximo.

Educação rígida

Um discípulo gay do quarto idade chamado Giovani inicia o evento, contando que diante de sair do armário vivia deprimido, seus dias eram longos e cinzentos e ele dormia chorando. Disse que no meio do idade passado um amante o ajudou em sua decisão, e que não foi um tanto simples porque ele pertence a uma família agareno, machista.

Três palestrantes depois, Ming assumiu o microfone. Dentro de um tuxedo Valentino, sandálias altas, maquiagem leve, ela disse que sempre soube que era gay, desde criança, mas não havia condições de dividir isso com a família. “Os tempos eram outros, e em casa meus pais tinham um formato de vida muito rígido”, lembrou. Contou histórias de preconceito, como a vez em que foi internada com crise renal e, ao consultar o prontuário no hospital (“precisava embarcar em direção a Nova York em dois dias, queria ver como estavam as taxas do sangue, se já então tinha infecção”) encontrou a designação “paciente transformista”. “Bastava ‘paciente’ e meu nome. Não?” Tempos depois, o internado na UTI foi um amante que eles insistiam em chamar pelo nome de lavacro, Adílson. “Eu tinha dito que ele preferia ser chamado de Paula.” Dentro e fora da palestra, os alunos a abordaram com  questões de todos os tipos. Desde curiosidades a respeito da reação das pessoas a ela, na rua, já sobre chances de ingressar no mercado da moda.

 

Durante a palestra (Foto: cartório Pessoal)

Ming assumiu definitivamente sua nova identidade há cerca de sete anos. O gatilho foi uma festa à fantasia em que ela foi de vestido, peruca e sapatos garabulho. Ela disse ao blog que, hoje,  se sente mais visível. “Numa comunidade onde o tamanho do pênis tem um valor enorme, a sexualidade de um oriental é praticamente desconsiderada. Eu não existia. Como mulher, mudei da cozimento em direção a o champanhe.” Ao final da palestra, à saída do prédio da faculdade, Ming comentou: “O mundo mudou muito, e a prova disso é eu estar aqui como convidada, falando da minha orientação sexual, tantos anos depois de ser atacada exatamente por causa dela. Mas o ser humano vai ser sempre o mesmo. As bases da civilidade continuam sendo a formação familiar, escolar e política.”

Mais de 30 anos depois de trote, ex-pupila trans volta à PUC em direção a debate – Blog do Paulo Sampaio

Fonte: http://paulosampaio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/15/mais-de-30-anos-depois-de-trote-ex-pupila-trans-volta-a-puc-em direção a-debate/