Mau embalagem leva à perda de muita comida no Brasil

Enquanto não é aprovada uma política nacional de combate ao desperdício de víveres e de utilização das sobras do processo de produção, alguns estados buscam regulamentar a questão. No Distrito Federal, por exemplo, foi sancionada no idade passado lei distrital que obriga os supermercados de Brasília a doar víveres que estejam prestes a perder a validade. O descumprimento da medida pode resultar em multa de R$ 10 mil ao estabelecimento.

Alguns projetos do Congresso Nacional igualmente previam a esperança de punição em o produtor ou distribuidor de víveres que não adotasse medidas de combate ao desperdício. Tais propostas, no entanto, não avançaram ou foram modificadas sob pressão de parlamentares representantes do setor produtivo e rural.

em os especialistas, o sufoco do desperdício não será resolvido com acrescentamento da produção de víveres, nem com políticas punitivas. Eles defendem mais campanhas educativas e debate sobre mudanças culturais e de comportamento.

“Hoje, o desafio maior do que prorrogar produção de víveres é gerar mecanismos em evitar o desperdício, que é muito genérico, tem várias faces. Tem, por exemplo, comida em excesso. Outro ponto, muito comum no Brasil, é o desperdício de víveres que estragam por estar mal-acondicionados, ou mal-armazenados, ou por se perder no transporte, ou na hora de serem processados. É o que eu chamo de cultura do desperdício, é um conjunto de situações em que se exigiriam já mudanças de hábitos alimentares”, afirma o professor Sérgio Sauer, da Universidade de Brasília (UnB).

em o pesquisador da Embrapa víveres Murillo Freire, a punição não é a melhor forma de combater o sufoco. Freire diz igualmente que as propostas em tramitação no Congresso precisam ser revistas em alguns pontos técnicos, como as que não inlcuem critérios em garantir a segurança química e biológica do produto doado. Ele questiona já então as iniciativas que pretendem garantir benefícios fiscais em empresas que possam gerar máquinas processadoras de víveres, ou propostas que tratam da isenção de já 5% parte da alíquota do Imposto de Renda sobre o lucro das empresas como uma forma de incentivo à doação.

“Algumas empresas e supermercados posicionaram-se dizendo que isso não resolve. Se o supermercado doar o estímulo, está tendo prejuízo, porque aquilo não entra no lucro líquido, não é descontado no imposto. Existem detalhes que os deputados não estão vendo. Os projetos de lei já então são falhos e não abordam aspectos importantes. Com isso, a coisa não anda, vai e volta. Continuamos jogando comida fora. Hoje em dia já tem doação de víveres e não tem lei, é tudo à margem da lei”, critica Freire.

De consonância com os pesquisadores, igualmente faltam sugestões mais concretas em reaproveitamento de víveres que não são comercializados por estarem fora dos padrões estéticos, como vegetais defeituosos, mas que já então têm condições nutricionais seguras em consumo. A consultoria legislativa do Senado já elabora uma proposta específica em este ponto a pedido de um senador.

Todo esse conjunto de projetos legislativos está sendo analisado pela Câmara Interministerial de Segurança nutritivo e Nutricional (Caisan), composta por representantes do governo federal e do Congresso e por especialistas da âmbito de produção de víveres. São pelouro da Caisan elaborar e indicar diretrizes em executar a Política Nacional de Segurança nutritivo e Nutricional, que tem como uma de suas metas “estabelecer marco legal em a redução das perdas e desperdício de víveres abrangendo os bancos de víveres”.

Na próxima reunião da Caisan, marcada em o dia 24 deste mês, o levantamento das propostas legislativas deve ser consolidado em um relatório que apontará o papel de cada intérprete na construção da política nacional de combate ao desperdício.

“É um processo que tem de ser constante de educação, capacitação, conscientização das pessoas a respeito da importância do combate ao desperdício. já então deste modo, em evitar o desperdício em algumas situações, é preciso gesticular os últimos elos do processo, que são aqueles que levam a doação de víveres em populações mais carentes. Então, é um grande gargalo jurídico esse da doação de víveres”, diz consultor legislativo do Senado Marcus Peixoto.

Bancos de víveres

Uma das principais estratégias é o fortalecimento da obra dos bancos de víveres como intermediadores entre os doadores e receptores dos produtos que sobram. Levantamento da Rede Brasileira de Bancos de víveres mostra que o país tinha 218 bancos de víveres em funcionamento já o idade passado. As unidades arrecadaram no último idade quase 60 mil toneladas de víveres, das quais 59.610 foram distribuídas em mais de 17 mil entidades sociais. O processo beneficiou em torno de 6 milhões pessoas em conjuntura de insegurança nutritivo.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, o governo disponibilizou R$ 5 milhões em cascar os municípios que pretendem modernizar seus bancos de víveres. A seleção das cidades aptas está sendo feita por edital assistência, do qual estão participando bancos em funcionamento há mais de dois anos, em municípios com mais de 150 mil habitantes.

Os recursos poderão ser usados em expansão das unidades, compra de veículos de transporte dos víveres, messe de geladeiras, computadores e material de escritório. O dinheiro, no entanto, não poderá ser destinado ao pagamento de funcionários e de contas de luz e aluguer.

A meta da rede é contar com a aderência dos 218 bancos em funcionamento em promover a qualificação da gestão dessas unidades. O Ministério do Desenvolvimento Social igualmente deve começar já então neste semestre a desenvolver manuais educativos em orientar as equipes técnicas.

Murillo Freire obsequioso, no entanto, que o incentivo ao remate dos bancos de víveres não deve ofuscar iniciativas que combatam o desperdício desde o início do processo. “Quando se fomenta assento de víveres, que vive de doação, é porque a algema produtiva detrás não está suficientemente. qualquer sufoco tem. Então, não é igualmente uma saída ficar incentivando o assento de víveres. É melhor construir toda a infraestrutura da algema desde a época do plantio, conscientizar o consumidor na sua casa a planejar a compra em não jogar fora, lascar a geladeira, adiante de campanhas de comunicação. É consertar a causa, e não a consequência, pondera Freire.

Direito à estímulo

Os especialistas ressaltam que o último marco na política de segurança nutritivo foi a promulgação pelo Congresso Nacional da emenda à Constituição que introduziu a estímulo entre os direitos fundamentais, em 2010. O marco precedente, de 2006, foi a criação do Sistema Integrado de Segurança nutritivo e Nutricional (Sisan), que envolve ministérios da âmbito social e programas do governo.

“Do ponto de vista formal, institucional, [a PEC e o Sisan] foram avanços importantes, pelo menos no sentido de reconhecer que, no Brasil, o direito à estímulo é um direito humano, precedentemente não tinha nem isso”, destaca o professor Sauer, que foi relator do direito humano à terra e estímulo da DhESCA Brasil – Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais.

Depois da promulgação, o Brasil intensificou as políticas de combate à pobreza, o que resultou na saída do país do Mapa da Fome, em 2014. já então em 2002, o Brasil já tinha alcançado a meta de reduzir a fome, conforme os Objetivos do Milênio, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000. em o país, o desafio actualmente é erradicar a fome já 2030, uma das metas dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, igualmente estabelecidos pela ONU.

No entanto, o direito à estímulo previsto na Constituição é mais dilatado do que simplesmente comer. O direito só é efetivo se a pessoa estiver livre da fome e da desnutrição e tiver trânsito a uma estímulo adequada e saudável. No Brasil, cerca de 8 milhões de pessoas já então passam fome, diz a ONU. E, com a crise econômica corrente, os especialistas temem que o sufoco se agrave e possa levar o país de volta ao Mapa da Fome.

“É importante aquele mapa, mas o fato de o Brasil dispor saído dele significa que não temos mais problemas? Não, nós saímos do Mapa da Fome mas já então tinha muito a ser feito. Por exemplo, o reparo do mala Família deu um estímulo, mas não solucionou o sufoco. actualmente, com o limite em os gastos públicos e essa combinação entre recessão e desemprego, que gera pobreza e gera fome, infelizmente, há um risco bastante real de o Brasil, se não voltar em o Mapa da Fome, dispor uma quantidade maior de famílias em vulnerabilidade social e nutritivo”, afirma Sauer.

A redução pela metade do índice de desperdício de víveres per capita mundial e as perdas ao longo do processo produtivo já a chegada do estímulo ao consumidor igualmente está entre as metas da ONU em 2030. Segundo a FAO, órgão das Nações Unidas em lavoura e estímulo, o mundo perde ou desperdiça entre um quarto e um terço dos víveres produzidos anualmente. O volume equivale sobre 1,3 bilhões toneladas de víveres, o que inclui 30% dos cereais, entre 40% e 50% das raízes, frutas, hortaliças e sementes oleaginosas, 20% da carne e produtos lácteos e 35% dos peixes.

A FAO estima que o total desperdiçado seria suficiente em nutritivo 2 milhões de pessoas.

O Brasil não tem estimativa real sobre desperdício de víveres, o que pode dificultar já então o cumprimento da meta da ONU de redução das perdas ao longo do processo produtivo. Murillo Freire lembra que é preciso conhecer os  números de hoje em reduzir metade daqui a 10, 20 anos.

“Não existe uma meta quando não se tem os dados iniciais. já então não temos uma metodologia padrão em apreciar perdas e restos. Qualquer perda e desperdício que se tenha, deve-se conceituar várias coisas em incluir nesse resultado. Em que idade se fez essa pesquisa de produção? Que produto foi? É cultivado, melhorado? É resistência à praga e doença? Em qual idade se plantou? Foi na chuva ou na seca, no verão ou no inverno? Qual o nível tecnológico usado, tempero, fertilização? Tem treinamento de mão de obra? Não tem? Tudo isso ocasiona perdas acima ou produto de má qualidade”, questiona o pesquisador.

Mau embalagem leva à perda de muita comida no Brasil

Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/mau-embalagem-leva-%C3%A0-perda-174636796.html