“Meu marido tem HIV, estou grávida dele e está tudo assaz” – 11/09/2017

Desde que conheceu seu marido, a fotógrafa Rita*, 30, sabe que ele tem o vírus HIV. Mas isso nunca foi um dificuldade na direção de ela que se sente completamente segura em transar com ele, inclusive sem camisinha. Ao UOL, eles explicaram como funciona sua relação e como a noção é a embasamento da segurança dos dois.

“A gente se conheceu quando ele morava fora, por isso conversamos muito por mensagem. Quando voltou na direção de o Brasil há um idade e meio, já existia uma empatia, então nos demos assaz de cara. Logo no segundo encontro ele já me falou que era soropositivo e, na direção de ser sincera, não teve nenhum drama, achei totalmente de jibóia.

Eu sabia que não tinha razão na direção de gozar medo

É que eu tinha noção e sabia que não existia razão na direção de gozar medo. Por coincidência, fazia poucos meses que um grande amante havia me contado que tinha HIV e por isso eu já sabia muito sobre o vírus. Quando ele me falou que tinha carga viral indetectável, eu não tive medo.

Carga viral indetectável é quando a quantidade de vírus no sangue está tão redução que nem aparece nos exames. Nesse caso, a pessoa não pode contaminar outras.

Então em nenhum momento eu me senti chocada ou com medo. Na verdade, já achei ele mais interessante por já gozar passado por isso. E segura similarmente: as chances de contrair o HIV com ele é muito menor do que com alguém que não realiza o teste e não se cuida. Tanto que sempre transamos sem camisinha.

Nosso filho não tem risco de gozar HIV

Depois de uma semana eu esqueci do objecto e nosso relacionamento foi evoluindo. Nunca passou pela minha tola que eu pudesse gozar a doença. E sei que não tenho, porque faço exames de rotina a cada seis meses, desde os 15 anos, os resultados seguem ótimos.

ora demos um novo passo na relação: estou grávida de três meses. E não existe risco nenhum de a criança gozar HIV.

Sei que, precedentemente de mim, meu marido sofreu preconceito de outras mulheres. Por isso, acho importante expressar: o medo nada mais é do que preconceito.

Se você conhecer um cara que é soropositivo, não precisa se estarrecer. Escute o que ele tem a dizer, pesquise e, se tiver dúvidas, procure um médico. O principal é confiar e se sentir segura na direção de perguntar, mas não é preciso gozar medo.

A questão não é ser irresponsável, mas sim gozar noção e segurança”.

“O maior mito é que as pessoas que sabem que vivem com HIV são responsáveis por espalhar a epidemia”

Depoimento do marido de Rita*, 33, inventor do blog Diário de rapaz Soropositivo.

“Eu descobri que vivo com HIV em 2010. Foi no primeiro check-up geral que fiz na vida. Muito provavelmente me contaminei durante a faculdade, fazendo sexo sem camisinha, mas não sei com quem exatamente.

O primeiro impacto que tive foi o medo de morrer. Depois, entrei em contato com várias ex, avisando do diagnóstico e sugerindo que elas fizessem o teste. Algumas me responderam, contando que veio negativo.

Existe um mito de que a pessoa que vive com o HIV, que sabe e se cuida, é responsável por espalhar a epidemia. E eu achava isso similarmente.

Foi graças a conversas com meu médico e muita pesquisa que entendi que uma pessoa que tem HIV e realiza tratamento não oferece risco e, na verdade, é mais segura do que uma pessoa que não vive com o HIV ou não sabe.

Duas mulheres já se afastaram de mim por ser soropositivo

Esse pensamento me fez passar por algumas poucas situações de preconceito em relacionamentos. A vez que mais me marcou foi uma rapaz que era estudante de medicina. Contei na direção de ela no começo do nosso relacionamento e ela entrou em pânico.

A gente se via quase todos os dias e depois que contei, ela parou de me ver. Um mês depois, me disse que não conseguiria gozar um relacionamento com alguém como eu.

Outra experiência que aconteceu depois foi de transar com uma menina que sabia que eu tinha HIV e no dia seguinte ela entrar em pânico. Queria gozar certeza de que a gente tinha usado camisinha, queria que eu mostrasse a camisinha. Ela ficou muito nervosa e quando me dei conta eu estava debruçado no cesto de lixo, procurando a camisinha no meio dos papéis higiênicos. Quando me dei por mim, falei: “eu sei que usei camisinha e ela está aqui no lixo. Se você quiser pode procurar”. Saí e depois de um mês ela veio me pedir desculpas.

O principal cuidado é eu me manter saudável

Quando conheci minha esposa, foi tudo muito rápido. A gente logo começou a namorar. No primeiro dia, ela me chamou na direção de ir à casa dela e eu fiquei um pouco nervoso; eu sempre fico na hora de contar que tenho HIV.

Demorei uns dois dias na direção de contar e quando contei ela falou: ‘por mim não tem dificuldade nenhum’. Então a gente namorou e depois se casou.

O cuidado dentro do nosso casamento em relação ao HIV quem toma sou eu, todas as noites precedentemente de dormir, um pequeno comprimido de antirretroviral. Eu tenho quantidade de vírus no sangue indetectável. Isso quer dizer que mesmo nos exames mais precisos não é capaz dar com nenhum vírus circulando no meu sangue, desde que eu esteja tomando os antirretrovirais corretamente.

Faço exames trimestrais e eu sempre estive indetectável. E, por opção nossa, eu e minha mulher transamos sempre sem camisinha. E similarmente sem medo”.

*Nome fictício a pedido a entrevistada.

“Meu marido tem HIV, estou grávida dele e está tudo assaz” – 11/09/2017

Fonte: https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/09/11/meu-marido-tem-hiv-estou-gravida-dele-e-esta-tudo-assaz.htm