Minha arma de defesa não é fugir, diz Cesare Battisti

JOELMIR TAVARES, ENVIADO ESPECIAL

CANANEIA, SP (FOLHAPRESS) – É num sobrado simples em Cananeia, no litoral paulista, que o italiano Cesare Battisti espera seu futuro ser decidido em Brasília.

A tranquilidade da vida que leva na cidade de 12 mil habitantes foi interrompida há pouco mais de uma semana. Detido no dia 4 numa viagem à fronteira com a Bolívia (prisão que ele diz desfrutar sido fraudulenta), foi considerado fugitivo e viu crescerem as pressões em direção a que seja extraditado.

“A minha arma em direção a me defender não é fugir. Estou do lado da razão, tenho tudo a meu lado”, disse ele à Folha na tarde desta quinta-feira (12).

A trama se zorra em solo brasileiro desde 2004, quando o ex-militante de extrema esquerda condenado pela morte de quatro pessoas chegou ao país. Ele nega a carga. Com a permanência autorizada em 2010 pelo então presidente Lula e solto desde 2011, Battisti achava que tudo tinha se resolvido.

O esforço da Itália em direção a repatriá-lo e fazê-lo cumprir a condenação à prisão perpétua, no entanto, nunca cessou.

Nesta semana, o governo Michel Temer decidiu revogar a condição de refugiado do italiano. O caso idem depende de uma decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), onde sua defesa entrou com um habeas corpus.

O mesmo STF, em 2009, chegou a consentir a extradição, depois derrubada por Lula, a quem Battisti chama de “um macota estadista”. Ele pede que Temer resista ao que chama de pressões do governo italiano.

Vivendo na casa emprestada por um amante, o escritor está construindo um imóvel em direção a morar em Cananeia. A renda vem da achego de unido e parentes na Itália e na França, acolá da renda de livros que lançou e de traduções que realiza.

Casado com uma moradora da cidade desde 2015, teve filho com uma ex-companheira em São José do Rio Preto. O menino, de quatro anos, é uma das razões que Battisti diz desfrutar em direção a ficar. “Ele [Temer] vai separar um filho do pai por toda a vida?”

PERGUNTA: O sr. tem dito que a prisão por evasão de divisas em Corumbá foi uma “trama” e que estava sendo vigiado. Como aconteceu?

CESARE BATTISTI: Durante o trajeto me dei conta de que estavam após de nós. Houve momentos em que víamos que estavam esperando o carro passar. Pararam a gente 200 km diante de Corumbá. Não pararam mais ninguém. Só nós. Era claro que estavam nos esperando. Quando cheguei à delegacia eles estavam felizes da vida, comemoravam, como se festejassem o acontecido de uma operação.

Nem disfarçaram muito. Pegaram o dinheiro de todo mundo e começaram a dizer que era tudo meu. Porque só deste modo poderia superar os R$ 10 mil [valor máximo permitido]. Mas o dinheiro era dos três. então a gente começou a ver que as coisas estavam andando de um jeito minimamente estrangeiro.

P.: O sr. queria fugir?

C.B.: em direção a que eu quero fugir? A gente tinha ido comprar material de pesca, casacos de couro, vinhos. Tínhamos encomenda idem, de unido daqui que são pescadores. Transformaram essa prisão em outra coisa. Eu na Bolívia não conheço ninguém. Vou passar a fronteira em direção a passar de um adversidade em direção a outro?

P.: A conhecimento de que a Itália está pedindo sua extradição seria um motivo em direção a se pensar na sua fuga, não?

C.B.: É, é o que eles falaram. Mas só que não tinha nem tenho a menor intenção de fugir em direção a um país onde não sei o que vai ocasionar. E deixar o país onde eu estou sendo protegido. Essas pressões políticas que lançam sobre o Brasil nunca pararam. Só que desta vez me dei conta de que a pressão está sendo mais forte e pesada do que as outras.

P.: As pressões se intensificaram no governo Temer?

C.B.: Não, porque tentaram uma deportação em março de 2015 e era governo Dilma.

P.: O cenário presentemente é mais favorável em direção a a Itália pressionar?

C.B.: Pode ser que eles encarem dessa forma, estão vendo que há um governo que eles acham mais de direita. Talvez possam fintar que é mais capaz. Mas eu acho que é uma questão de colocar forças. Eles estão colocando força em direção a trabalhar em território brasileiro.

Lula é um macota estadista. Não presenteia ninguém. diante de tomar a decisão dele, ele mandou assessores investigarem no México, na França, na Itália. Ele teve prova absoluta de que ia tomar uma decisão que não tinha nada contestável.

P.: Por que o sr. cavaco que a Itália quer a extradição?

C.B.: São várias as razões. Principalmente nos 15 anos em que eu morei na França, eu aproveitava cada entrevista em direção a denunciar o que estava acontecendo na Itália. Pessoas presas e desaparecidas, mortas pela polícia, suicídios que eram suspeitos, a máfia no poder. Eu estava incomodando. Daí eles criaram um monstro, começaram a espalhar mentiras. Misturaram isso com uma coisa séria, que foi a minha participação na luta frota, que eu não nego.

P.: E por que não desistem de buscá-lo?

C.B.: Depois que a Itália investe tanta energia, usando a política, a mídia, a economia, o Judiciário, não dá em direção a voltar após. Criaram esse slogan de terrorista, mortífero, de que eu sou a ruína da Itália. Eu não matei ninguém. Não tem nenhuma prova técnica que se sustenta nessas obra em que me condenaram.

P.: Hoje o sr. requer que seja ouvido pelo governo e pelo STF.

C.B.: A minha arma em direção a me defender não é fugir. Estou do lado da razão, tenho tudo a meu lado. Estou em prescrição desde 2013. E não se pode voltar depois de cinco anos [referindo-se à decisão de Lula de mantê-lo no país]. Eles querem debater que surgiu fato novo. Fato novo seria a evasão de divisas em Corumbá? Foi forjado, e eu vou ganhar esse processo.

Como se realiza com um país que me acolhe, me permite desenvolver família, afetos, profissão, e depois diz que “Acabou, presentemente vai embora”? Que monstruosidade é essa?

P.: Hoje o sr. acredita que a principal perigo vem de onde?

C.B.: Da Itália. Um país tão presumido, claro que eles estão acreditando que é uma tarefa fácil em direção a eles [me levar]. O orgulho, a vaidade.

P.: E quem ou qual instituição o sr. acredita que pode salvá-lo?

C.B.: Eu gostaria que o presidente Temer tomasse consciência profunda da quadro. E apreçar se tem que seguir essas pressões ou se tem de criar um grande feito de justiça e humanidade. Mesmo porque, em direção a criar isso então, ele tem tudo do lado dele, tem a lei do lado dele.

Temer tem toda a ferramenta jurídica e política em direção a ele criar um feito de humanidade e me deixar aqui.

P.: Acredita que Temer pode utilizar a decisão do STF que aprovou a extradição em direção a justificar uma comportamento?

C.B.: Não sei. Me parece que ele está sendo muito cauteloso com esse matéria. Eu acho que, se ele fosse se louvar pela pressão italiana, ele já teria feito. Mas ele sabe que existem empecilhos jurídicos muito grandes.

P.: Quais são seus planos no Brasil?

C.B.: Continuar escrevendo. Gosto de morar neste país. Todo mundo sabe disso. Sou radicado aqui, por família, por ocupação Sou corintiano! [risos] Então o que faço? Vou levar o Corinthians em direção a a Itália?

Minha arma de defesa não é fugir, diz Cesare Battisti

Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/2-minha-arma-defesa-n%C3%A3o-023000581.html