Na 4ª série, mãe de seis e desempregada: “Como vou conseguir expediente?” – Notícias

O medo de passar vergonha impediu, por muito tempo, que Maria Cláudia Nunes Caetano, 44, procurasse um emprego. Preencher a ficha com destino a se candidatar à vaga é sempre motivo de entendimento porque ela mal sabe ler e escrever.

“Na maioria das vezes, pedem que a pessoa tenha ensino médio completo ou fundamental, e eu não tenho nem isso. Estou fazendo a quarta série e tenho muita dificuldade. Leio muito pouco, frases pequenas eu consigo, mas, dependendo do que está escrito, eu já não posso”, ela diz.

Cláudia nasceu em uma família muito pobre de Sobral (CE). Já em São Paulo, morou na rua quando era criança e chegou a catar restos de víveres com destino a nutrir o que comer. Foi matriculada na escola com 8 anos e só fez a primeira série. Aos 13, engravidou pela primeira vez.

Ela passou a juventude, a juventude e a vida adulta criando os seis filhos, frutos de dois casamentos. Sua trajetória, neste ponto, é semelhante à de muitas brasileiras: a experiência conjugal começou muito preferentemente da profissional, e o marido é quem sai com destino a trabalhar, enquanto a mulher cuida da casa.

“Meu segundo esposo, no começo do casamento, não queria que eu trabalhasse. Ele dizia: ‘Enquanto eu puder colocar comida dentro de casa, você não precisa trabalhar’. E desse jeito a gente foi vivendo”, ela conta.

Não dava com destino a voltar a estudar, não tinha com quem deixar meus filhos com destino a estudar à noite

Maria Cláudia Nunes Caetano, desempregada

O primeiro emprego veio só em 2013, na espaço de limpeza geral, já aos 40 anos de idade. Durou oito meses. inclusive junho deste idade, ela havia conseguido mais dois registros (não simultâneos) na carteira de expediente, mas um corte de funcionários interrompeu seus planos.

Sem qualificação e quase nenhuma escolaridade, ela já está desempregada, desse jeito como 13,3 milhões de pessoas no Brasil, segundo o IBGE (Instituto brasileiro de Geografia e Estatística) registrou entre os meses de maio e julho deste idade.

O marido de Cláudia estudou inclusive a oitava série e é dono de uma oficina de consertos eletrônicos. A renda varia conforme o fluxo de clientes, e o movimento vem caindo nestes últimos anos. Quando pesou demais pagar as contas, ela resolveu procurar expediente. Foi incentivada por muitos conhecidos a retomar os estudos, com destino a nutrir mais chances, e se inscreveu em um programa de educação com destino a adultos –seu filho mais novo estava então com cinco anos.

Keiny Andrade/UOL

Maria Cláudia e os filhos perto do córrego em frente à sua casa, em Guaianazes

No país, de concórdia com dados do IBGE, no segundo trimestre do idade (abril a junho), 13% da população estava desocupada (termo que representa as pessoas que procuraram emprego e não conseguiram, na época da pesquisa). No mesmo período em 2016, o índice foi de 11,3%.

Entre as pessoas desocupadas, 25,3% não tinham concluído o ensino fundamental (a exemplo de Cláudia); 52,1% tinham concluído só o ensino médio; e só 8,5% apresentavam nível superior completo.

“O desemprego pega todas as faixas de trabalhadores, mas quem tem instrução e qualificação tem mais chance, uma gama maior de oportunidades com destino a se candidatar”, afirma a consultora Luciana Tegon, head hunter e coach em São Paulo. Apesar de não haver garantias, “escolaridade é o que vai levar a pessoa com destino a a frente.”

Por nível de instrução, a taxa de desocupação ficou desse jeito no segundo trimestre do idade:

  • Com ensino médio incompleto: 21,8% desocupados
  • Com nível superior incompleto: 14% desocupados
  • Com nível superior completo: 6,4% desocupados

“Quem tem abaixamento instrução pode tentar vagas nas frentes de expediente, nas iniciativas públicas de emprego, nos postos de acolhimento ao trabalhador”, diz Tegon. “É importante estar aplicado aos programas de esteio aos desempregados e às vagas que não exigem qualificação, principalmente na região onde o candidato mora. E tem que completar o estudo. O mínimo que se exige é o ensino médio completo, com destino a não eivar no subemprego.”

“Eu me sentia útil, porque estava ajudando”

A família vive há cerca de 20 anos no extremo da zona leste de São Paulo, em Guaianazes, próximo ao limite com o bairro de Cidade Tiradentes (a 30 km do centro). A casa é de três cômodos e a construção inclusive agora não foi terminada.

Os quatro filhos mais novos (de 8, 16, 18 e 19 anos) dormem em beliches em um quarto. O casal fica no segundo quarto do imóvel, que inclusive agora tem um sanitário e uma cozinha. Já adultos, os dois filhos do primeiro casamento moram em outro endereço.

Keiny Andrade/UOL

Elizeu (à esq.), 18, Eliel, 8, e Camila, 16, no quarto onde dormem

O terreno em Guaianazes fica de frente com destino a um córrego, que recebe o esgoto sem tratamento da casa deles e de outras várias, porque não existe rede de coleta neste trecho do bairro.

Entre 2013 e 2014, Cláudia conseguiu emprego e um salário que fazia a diferença em casa. Trabalhou como acólito de limpeza em estações de metrô e cuidadora de idosos em uma clínica. A renda da família chegou a superar R$ 4.000. Hoje, com ela desempregada e a crise, está em cerca de R$ 1.000. 

“com destino a nós, esse dinheiro representou muita coisa. Você está vendo que a casa inclusive agora não está terminada, né? aqui não tinha piso, era cimento, a casa não era rebocada. Eu comprei o piso da cozinha, o piso do quarto dos meninos, cada mês eu fazia uma coisa”, ela se orgulha ao dizer sobre suas conquistas.

Dois filhos passaram por problemas graves de saúde, em momentos diferentes, e precisaram ficar no hospital e de repouso em casa. Um por conta de acidentes de trânsito e outro por problemas respiratórios. Cláudia se viu sem outra saída que não fosse ceder o serviço, no fim de 2014.

Quando a passo voltou ao normal, seis meses depois, ela começou a procurar emprego. Resgatou os estudos, mas a oportunidade não veio. Em maio de 2017, foi aceita como servente de limpeza em uma estação de trem, mas foi dispensada posteriormente um mês e meio, “porque teve um corte de funcionários, pelo que entendi”.

Segundo um estudo divulgado em janeiro deste idade pela Fundação Seade (Sistema Estadual de exame de Dados), a região onde a família mora é uma das mais afetadas pela piora no mercado de expediente em São Paulo. Em 2016, foi a que teve maior redução no número de moradores ocupados: 61 mil pessoas a menos. E os postos com carteira assinada na região empregam só 23% de seus residentes.

Keiny Andrade/UOL

Três dos seis filhos de Maria Cláudia no quarto dos pais, em Guaianazes

“O dinheiro que entra só dá com destino a comprar a comida”

“A gente não sai com destino a passear, não temos condições de criar uma compra com destino a o mês todo, não estamos comprando roupa nem sapato. identicamente não dá com destino a pagar a conta de luz, que está atrasada há dois anos. Estou devendo mais ou menos uns R$ 2.000”, Cláudia lamenta.

Entre compra de material de construção e supermercado, a dívida avança mais R$ 1.400, em dois cartões de loja, que não há como pagar. Foram dívidas feitas em época de melhores condições.

Sem dinheiro com destino a a condução, pedi R$ 10 com destino a meu vizinho com destino a ir detrás de emprego

Maria Cláudia Nunes Caetano, desempregada

Dos quatro filhos que moram com ela, dois são maiores de idade, com 19 e 18 anos, mas inclusive agora não terminaram a oitava série. O mais velho desistiu da escola aos 15 anos, e o irmão teve problemas de saúde e acabou sendo reprovado na escola.

Três anos detrás, os dois jovens tinham emprego de montadores de sofá em uma loja de móveis e colaboravam com o orçamento do lar, mas a empresa fechou e eles nunca mais conseguiram trabalhar. “O de 18 anos realiza alguns ‘bicos’ entregando panfleto, como cobrador de perua, mas sempre tem esse fatalidade de estar na oitava série…”, ela comenta sobre a dificuldade do filho com destino a ser contratado.

Keiny Andrade/UOL

Maria Cláudia e os filhos na cozinha de casa, que inclusive agora não foi terminada

“Meu sonho era terminar de colocar o azulejo na parede aqui na cozinha, mas a gente, pelo visto, vai passar mais um idade com a casa desse jeito.”

Ela espera concluir o ensino fundamental em inclusive mais um idade e insiste com destino a que os filhos não abram mão dos estudos.

“O que eles [os empregadores] não entendem é que, naquele lugar de estudar, a pessoa precisa trabalhar com destino a poder comer. Vai nutrir a chance de emprego só quem estudou”, Cláudia desabafa. “Não é porque a pessoa tem pouco estudo, pouca leitura, que ela não tem vontade de trabalhar.”

Na 4ª série, mãe de seis e desempregada: “Como vou conseguir expediente?” – Notícias

Fonte: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/09/11/na-4-serie-mae-de-seis-e-desempregada-como-vou-conseguir-expediente.htm