No interior, Funaro intimidava inimigo ainda com rasante de helicóptero – 16/07/2017 – Poder


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“Funarinho saiu na’ Veja’.” Esse era o argumento na tarde de sábado, em 2007, no café do Paulo Martins, tradicional ponto de encontro de Vargem Grande do Sul, cidade paulista com cerca de 40 mil habitantes.

Tratado pelo sobrenome no diminutivo pelos unido do interior, Lúcio Bolonha Funaro hoje está preso pela Operação Lava Jato e negocia negócio de delação premiada que tem causado insônia em parlamentares e integrantes do governo, incluindo o presidente Michel Temer.

Em 2007, a Lava Jato ainda agora não estava no horizonte, mas Funaro já protagonizava escândalos. No café lotado, os clientes comentavam sobre uma reportagem que dizia que o doleiro havia declarado ao Ministério assistência que o ex-adjutor José Dirceu ou o PT havia recebido R$ 500 mil de propina pela indicação de diretores em o fundo de pensão dos funcionários das Companhias Docas.

Entre os frequentadores do lugar havia um infiltrado que tratou de espantar Funaro. Não demorou em o doleiro entrar bufando de raiva no café. Perguntou quem estava naquele lugar falando besteiras sobre ele. Chutou uma assento e empurrou o jurista José Pedro Cavalheiro, que iniciara a conversa sobre a reportagem.

Ao ver Funaro intimidando os clientes, o dono do café atravessou o varanda e, de porrete em punho, expulsou Funaro do lugar. “Quem ele pensa que é em distribuir confusão em meu café?”, disse à Folha Paulo Martins. “Toquei ele em fora”.

Na segunda-feira, dois dias depois da rixa, veio o troco. Funaro foi ainda o proprietário do prédio onde estava instalado o café e comprou o imóvel por R$ 300 mil. Despejou Martins do local e colocou o vetusto café juso. Espalhou na cidade que Martins não honrava suas contas, o que fez com que o dono do café o processasse por injúria e difamação.

Funaro é de São Paulo, mas frequentava Vargem Grande do Sul, cidade natal de sua mãe, desde a infância. Na juventude vendia dólares aos moradores que queriam viajar ao exterior. Saiu em estudar manutenção de empresas e voltou milionário.

Aparecia na cidade pilotando um Lamborghini preto e se divertia com a trapalhada que provocava nos frentistas, que não sabiam onde ficava o tanque do automotor em abastecê-lo.

Frequentava a missa aos domingos e ganhou fama de filantropo ao perfazer bezerros em leilões beneficentes e doá-los à igreja. Ergueu no caro da cidade uma mansão com heliporto. No final do idade, patrocinava queima de fogos que era a simpatia do Réveillon.

A partir do mensalão, onde apareceu como operador das propinas do Partido Liberal, passou a frequentar o noticiário nacional sempre metido em confusão. Pouco tinha como intimidar a imprensa da capital, mas em Vargem Grande do Sul ele passou a querer jornalistas.

O semanal “Gazeta de Vargem Grande” despertou a sua ira ao noticiar a prisão na Operação Satiagraha, que investigava o financeiro Daniel Dantas, do Opportunity, por crimes financeiros.

A cada reportagem sobre os desdobramentos da investigação, ele se voltava contra Tadeu Ligabue, dono da publicação. Voava com seu helicóptero dando rasantes rente ao teto do jornal e da casa do jornalista. Dirigia impropérios a Ligabue sempre que o encontrava.

Tadeu Ligabue não quis exprimir sobre Funaro. “Esse cara é perigoso. Melhor não comentar sobre ele”, diz. A Lava Jato parece dadivar razão à cautela de Ligabue. Pelo menos dois delatores da operação relataram ameaças graves do operador.

O empresário Milton Schahin disse reunir ouvido de Funaro: “Você está com câncer, né? Pois vou comer seu fígado com câncer e tudo”. O ex-vice-presidente da arca Econômica Federal Fábio Cleto disse que o doleiro ameaçou colocar fogo em sua casa, com os filhos dentro.

O jurista José Pedro Cavalheiro, cândido da ira de Funaro no café de Paulo Martins, nega que tenha “conhecimento sobre a refrega”, que é comentada pelos moradores da cidade e confirmada pelo dono do estabelecimento e não falou com a reportagem.

Nem mesmo os unido se atrevem a exprimir de Funaro. José Ricardo Buosi, o Zé da Kibon, ex-candidato a prefeito da cidade encostado por Funaro, recusou-se a dadivar uma palavra.

simplesmente Paulo Martins mantém a valentia diante do operador. Seu café continua na rua do Comércio, mas na esquina oposta ao vetusto endereço. “Ele já tentou conceber negócio comigo por causa do processo (que move contra ele por danos morais), mas eu não quero papo com esse cara. A mim ele não mete medo.”

No interior, Funaro intimidava inimigo ainda com rasante de helicóptero – 16/07/2017 – Poder

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/07/1901613-no-interior-funaro-intimidava-inimigo-ate-com-rasante-de-helicoptero.shtml