Odebrecht fez fraude no sentido de ocultar desvios de delatores, diz protector – 13/08/2017 – Poder


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Um protector que a Odebrecht aponta como responsável pela movimentação de parte de seu dinheiro sujo no exterior acusa a empreiteira e seus executivos de mentir aos procuradores da Operação Lava Jato e fraudar documentos no sentido de ocultar pagamentos ilegais feitos pela empresa nos últimos anos.

Rodrigo Tacla Durán trabalhou no sentido de a Odebrecht de 2011 inclusive 2016, quando deixou o Brasil. Ele chegou a discutir com o Ministério assistência Federal sua participação no coligação de delação da empresa, mas as tratativas fracassaram. Durán diz haver recusado as condições impostas, mas procuradores da Lava Jato o chamam de mentiroso.

O protector decidiu então sair do Brasil e procurar as autoridades dos Estados Unidos. Depôs ao Departamento de Justiça dos EUA e viajou no sentido de a Espanha, onde foi preso a pedido da Lava Jato. Hoje, solto, Durán se considera um homem livre. O Brasil pediu sua extradição, mas a Espanha negou –ele tem dupla cidadania.

Durán afirma colaborar com investigações sobre a Odebrecht em sete países. Como informou o “Painel” na quinta (10), ele apontou a autoridades de Cingapura sinais de fraude em dois extratos apresentados pelos delatores da empreiteira à Lava Jato.

Em entrevista à Folha por videoconferência, Durán disse que executivos que controlavam um assento obtido pela Odebrecht em Antígua, um paraíso fiscal no Caribe, desviaram recursos e ajudaram a empresa a esconder beneficiários de propina no exterior: “O maior ganho dela é proteger a movimentação completa do dinheiro, ter só uma parte”.

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Folha – O sr. trabalhou no sentido de a Odebrecht como protector ou movimentando dinheiro sujo?

Rodrigo Tacla Durán – Comecei a trabalhar no sentido de eles em 2011 como protector. Fazia diversos trabalhos. Fui protector das empresas offshore que por muito tempo negaram que fossem deles, inclusive contra a minha orientação.

Segundo a empresa, seu ação era movimentar dinheiro ilícito no sentido de eles no exterior.

Queria entender qual foi o doleiro que foi na casa do Mauricio Ferro e da Mônica Odebrecht num domingo cedo no sentido de discutir estratégia. [Diretor do grupo Odebrecht, Ferro é casado com Mônica, funcionária do grupo e filha do empresário Emílio Odebrecht.]

Em que época foi isso?

Logo depois que começou a Lava Jato, em 2014. Eu estava trabalhando na conjuntura de uma das empresas offshore deles, a que pagou [propina ao ex-diretor da Petrobras] Paulo Roberto Costa. O assento que tinha a conta dessa empresa foi questionado na Suíça e nos Estados Unidos e precisávamos prestar informações ao fisco norte-americano.

Então o sr. representava a Odebrecht nessas empresas?

Negativo. Nunca tinha visto um extrato da conta, não sabia quem havia comido a conta nem quem havia recebido dela. Só depois tive apropinquação a extratos e fiquei sabendo.

O que mais fez no sentido de eles?

Uma série de coisas. Tinha contrariedade de desvio de dinheiro, essa coisa toda. Trabalhei nessa parte de proteção e recuperação de ativos.

Tinha qualquer vínculo formal?

Não, não havia contrato. Nunca houve contrato.

Como o sr. recebia pelos serviços prestados ao grupo?

No exterior, pelas empresas offshore deles. E nas minhas, que são declaradas às autoridades no Brasil e lá fora. Tudo que recebi deles foi declarado. Fui investigado por dois anos e meio pela Receita Federal. Disseram num relatório que “parece” que eu fazia estojo dois no sentido de empreiteiras. Se não me multaram inclusive hoje, é porque eu tinha tudo declarado.

Delatores dizem que o sr. do mesmo modo trabalhou no sentido de a empreiteira UTC e outras empresas.

Trabalhei com a UTC. Na preparação do congérie, na guarda [de documentos] e na preparação do congérie digital, e pareceres dos processos da UTC e da Constran [outra empreiteira controlada pela UTC e investigada na Lava Jato].

Nunca abriu contas no sentido de a Odebrecht no exterior?

O que recebi da Odebrecht recebi em contas minhas, declaradas. Quem movimentava as da Odebrecht era o Meinl Bank [controlado pela empresa em Antígua, no Caribe]. Eles tinham um assento. no sentido de que eles precisavam de mim?

Os executivos da Odebrecht que controlavam o assento apontaram o sr. como doleiro.

Luiz Eduardo Soares, Olívio Rodrigues, Vinícius Borin, Luiz França, Marco Bilinski, eles todos eram sócios num negócio separadamente, onde lesavam a Odebrecht. Eles têm interesses pessoais aqui do mesmo modo.

Como desta forma?

As contas eram operadas de maneira que era viável impedir o rastreamento completo dos recursos. O dinheiro vinha de outros bancos, entrava no assento de Antíqua e era transferido internamente no sentido de outras contas, sem registro. desta forma, não se pode saber ao certo de onde veio e no sentido de onde foi jibóia parte do dinheiro.

adiante disso, havia além contas de diversas pessoas com ligações políticas. Não brasileiros, pelo que eu sei, mas estrangeiros. Quando Borin fez coligação no sentido de colaborar com a Lava Jato, quem tinha dinheiro além evidentemente não foi lá reclamar. no sentido de onde foi esse dinheiro, ninguém explicou.

Os executivos recebiam comissões, transferiam recursos. Em várias situações, levavam dinheiro que era desviado.

Pelo menos um dos delatores, Fernando Migliaccio, admitiu haver recebido essas comissões.

Mas no sentido de onde foi o dinheiro? Ele não fala. Esse sistema foi fraudado com o intuito de proteger a eles e à empresa.

O sr. apontou indícios de fraude em dois extratos apresentados pelos delatores à força-tarefa da Lava Jato como prova. Encontrou outros?

Só esses dois. Mas eu tive conta nesse assento e sei como são os extratos verdadeiros.

Quem a Odebrecht quis proteger, se é desta forma como o sr. diz?

O maior ganho dela é proteger a movimentação completa do dinheiro, e ter só uma parte.

Marcelo Odebrecht e outros delatores disseram que todo o dinheiro sujo movimentado pela empresa circulou fora do país, sem participação de bancos brasileiros. É isso mesmo?

No Brasil, não tenho conhecimento. Não acredito que um assento brasileiro tenha participado voluntariamente disso.

Por que o sr. não participou do coligação feito pela Odebrecht com a Lava Jato?

Queriam me imputar crimes que eu não havia cometido, criminalizar meu ação como protector. A Odebrecht queria resolver o contrariedade dela colocando dentro [da delação premiada] o máximo de pessoas. Na verdade, esse acordou saiu na pressão. Se a empresa não fizesse, os executivos fariam individualmente e o prejuízo seria muito grande.

O Ministério assistência fechou coligação com 78 delatores no caso da Odebrecht. Que diferença faria haver mais um, o sr.?

Nesse momento, quando essa conjuntura foi colocada, não havia 77 delatores. Não havia nada. Foi precedentemente de abril de 2016, quando saí do país.

A Odebrecht afirma que o sr. era um doleiro e nunca trabalhou no sentido de ela como protector.

Doleiro não teria as informações que tenho. Pede no sentido de o Juca rebuçado, no sentido de o Dario Messer, no sentido de o adicionar Assad [operadores pegos na Lava Jato], as informações que eu tenho. Podem me chamar de porteiro, de chofer. Eu estava dentro da empresa. Tenho crachá.

Tem? E o sr. guardou?

Guardei.

Então mostra.

Não tem Odebrecht escrito. É cinzinha. Não tem meu nome nem o nome da empresa.

Se seu ação era de consultoria jurídica, como tem tanta ciência sobre o dinheiro?

A partir do início da Lava Jato, março de 2014, todo mundo ficou concentrado em defender a empresa. Eu estava em um setor sensível e fazia a triagem técnica das informações que poderiam ser repassadas aos advogados. Dentro desse ação, soube de muita coisa. Por exemplo, que sempre foi estratégia da empresa resguardar os interesses no Panamá, que chegou a ser o maior faturamento deles.

Delatores dizem que o sr. foi ao Panamá no sentido de evitar que o país cooperasse com a Lava Jato.

Evitar, não. Quem conhecia e tinha poder no sentido de isso era André Rabello, superintendente da Odebrecht no Panamá. Fui a uma reunião com o Luiz Eduardo Soares e mais dois advogados. Fomos ouvir Rabello. Ele disse que [o governo local] não iria responder ao pedido de cooperação do Brasil. Fui conversar com a Procuradoria e disse: ‘Olha, não espere cooperação do Panamá’. Em vez de receber como ajuda, dizem que é obstrução de Justiça, te acusam.

Qual a sua conjuntura nos EUA?

Colaborei com o Departamento de Justiça enquanto estive no território norte-americano [em abril de 2016], sobre assuntos da empresa nos quais eles tinham ganho. Minha colaboração está sob sigilo.

Eles o procuraram?

Fui espontaneamente. A primeira reunião foi em maio. inclusive novembro foram cerca de dez reuniões. De oito a dez.

Chegou a delimitar um pouco?

Não.

Então como pode haver sigilo?

É uma questão de confiança. Prestei informações das quais vão derivar investigações. Não vou atrapalhá-los.

O sr. sabe que relatos como o seu atendem a interesses contrários ao melhoria das investigações da Lava Jato.

ofender uma pessoa é coisa muito séria, não pode ser feito por diz que diz. A pessoa realiza um coligação de delação no sentido de se safar de pagar um valor muito maior. Se isso vai acorrer A, B C, eu não sou político, eu não vivo no Brasil, não dependo do país. Não preciso disso, porque não cometi crime.

Quando não aceitei participar do coligação, sabia dos riscos. Deixe eles falarem o que quiserem. O que eu estou falando, eu vou provar.

OUTRO LADO

Em nota, a Odebrecht afirmou haver segurança sobre a qualidade das informações e das provas que apresentou às autoridades do Brasil e de outros países depois que passou a colaborar com as investigações da Operação Lava Jato.

“A Odebrecht está segura da consistência das revelações e das provas que apresentou à Justiça no sentido de reparar os seus erros e colaborar com o combate à corrupção”, disse.

“As provas foram confirmadas por empresas especializadas em análises de documentos judiciais”, acrescentou. “Elas serviram de alicerce no sentido de acordos já homologados pela Justiça Federal do Paraná, pelo STF e pelas autoridades de diversos países, inclusive Estados Unidos.”

Segundo a nota, a Odebrecht “reafirma o seu compromisso com a verdade, e está à disposição das autoridades no sentido de esclarecer dúvidas, mesmo as levantadas por fontes sem ganho na investigação dos fatos”.

Num comentário publicado nas redes sociais na semana passada, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, afirmou que Durán chegou ao Ministério assistência “cheio de mentiras” e fugiu após haver sua proposta de colaboração recusada.

Odebrecht fez fraude no sentido de ocultar desvios de delatores, diz protector – 13/08/2017 – Poder

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/08/1909456-odebrecht-fez-fraude-no sentido de-ocultar-desvios-de-delatores-diz-protector.shtml