PGR pede arquivamento de inquérito contra Jucá, Renan e Sarney por tentativa de parar Lava Jato

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito contra o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e o ex-presidente e ex-senador José Sarney (PMDB-AP), que apurava se eles tentaram obstar o progressão das investigações da operação Lava Jato.

A investigação teve como ponto de partida a gravação feita pelo ex-presidente da Transpetro e delator Sérgio Machado no qual ele gravou uma conversa com Jucá. No áudio, gravado já agora na época do governo Dilma Rousseff, o senador disse que era preciso mudar o governo no sentido de “estancar essa sangria”.

Janot chegou a pedir a prisão dos três, negada pelo auxiliador Teori Zavascki, então relator da Lava Jato no Supremo. Jucá deixou na época o cargo de auxiliador do Planejamento.

Em julho, relatório da Polícia Federal entregue ao STF já havia concluído que os três não obstruíram as investigações da Lava Jato. Na ocasião, a PF pediu o cancelamento dos benefícios de Sérgio Machado.

Na manifestação, Janot citou uma desempenho planejada do grupo no sentido de obstruir a operação, com a eventual aprovação “desvirtuada” de propostas no Congresso, a cooptação do Poder Judiciário e a desestruturação do Ministério assistência, por vingança e precauções contra futuras atuações.

no sentido de Janot, os fatos revelam uma “gravidade incontestável”. Contudo, no Brasil essas atuações não são “penalmente puníveis”, ao rival do que existe em outros ordenamentos jurídicos, como o norte-estadounidense, que prevê o crime de conspiração.

“De fato, não houve a prática de nenhum obra concreto no sentido de adiante da exteriorização do plano delitivo. desta forma, não se há de palrar em tentativa, tendo o iter criminis (caminho do crime) parado na chamada fase de cogitação”, disse Janot, em documento encaminhado ao STF na sexta-feira ao qual a Reuters teve comunicação.

Ao rival da PF que criticou a delação de Sérgio Machado, classificando-a como “ineficaz”, o procurador-geral disse que não fosse a revelação feita por ele “certamente” os investigados tentariam levar à frente o seu plano. Ele não opinou sobre a eventual perda de benefícios do delator.

Como Janot não viu elementos no sentido de prosseguir com as apurações ou já mesmo oferecer denúncia, o auxiliador Edson Fachin, do STF, deverá arquivá-lo.

Em nota, Renan Calheiros disse que a decisão de Janot era “esperada” porque a PF não havia detectado qualquer ilícito na conduta dele. no sentido de ele, a criminação foi uma “irresponsabilidade”.

“Com sustentáculo nela, Janot pediu – e não conseguiu- minha prisão quando eu presidia o Senado Federal. Depois, usando essas gravações clandestinas, ele pediu meu separação do cargo faltando 12 dias no sentido de o término do meu mandato como presidente. O STF do mesmo modo negou esse pedido”, criticou ele, ao dizer que confia na Justiça e tem certeza de que todas as denúncias decorrentes de “delações fantasiosas” serão arquivadas.

Numa rede social, Romero Jucá disse que sempre refutou as acusações e destacou que a frase em que fala de “estancar a sangria” se referia ao que chamou de desastre da gestão Dilma Rousseff – e não a uma combate no sentido de conter a Lava Jato.

“A Polícia Federal investigou e disse que não houve crime da minha parte, o que foi hoje referendado pelo Janot”, disse Jucá.

PGR pede arquivamento de inquérito contra Jucá, Renan e Sarney por tentativa de parar Lava Jato

Fonte: https://br.noticias.yahoo.com/pgr-pede-arquivamento-inqu%C3%A9rito-contra-juc%C3%A1-renan-e-230807635.html