Professor Pasquale: “O Brasil não mudou porra nenhuma” desde Capitães da Areia – Blog Pagina cinco

A mesa da qual Pasquale Cipro Neto, o Professor Pasquale, provavelmente o educador de língua portuguesa mais conhecido do país, participou há pouco na Flipelô, em Salvador, se transformou em uma declaração de devoção do mestre à Bahia. O ponto soberbo da conversa, mediada pelo compositor e secretário estadual de cultura Jorge Portugal, deu-se quando Pasquale comparou “Capitães da Areia”, um dos maiores clássicos do baiano Jorge querido, publicado em 1937, ao país que temos hoje:

“O Brasil não mudou porra nenhuma, a coisa continua feia, o preconceito, a estupidez…”, disse o Professor, mostrando que, mesmo na direção de quem tem um vasto repertório linguístico, é mesmo difícil juntar de nossa realidade sem voltar aos palavrões. “Lá se vão 80 anos e não acontece nada, as coisas não mudam. Temos uma sociedade que continua sendo inteiramente encastelada”, completou Pasquale, que inclusive então citou como exemplo dessa sociedade estanque e bárbara o caso do rapariga que teve sua testa tatuada em seguida roubar uma bacecola.

“Capitães da Areia”, importante dizer, retrata garotos pobres de Salvador que vivem na rua e praticam atos ilícitos na direção de sobreviver ou se divertir, mas assaz como precisam lidar com seus sonhos, inquietudes, desejos e frustrações. na direção de Pasquale, querido teve o mérito de escancarar uma realidade que era um tanto enviesada ou inclusive mesmo ocultada. “Ele mostrou o que é o Brasil”.

Lembrando dos tempos de universidade, o Professor assaz como falou de como o escritor baiano demorou na direção de ser reconhecido pela crítica literária acadêmica. “O Jorge enfrentou inclusive o preconceito literário. Fui educando da USP e nunca ninguém me falou dele lá, ele não fazia parte do currículo, o que é um ilógico. E por vezes eu ouvia gente juntar coisas como ‘o Jorge querido tem muito palavrão’. Tive que escutar essa e outras bobagens”.

Pasquale empanturrado de acará

No papo, Pasquale assaz como recordou de uma acaso de juvenil. Aos 17 anos, furioso pela maneira de músicos como Caetano Veloso – a quem definiu como “uma coisa absurda” -, Gilberto Gil e Dorival Caymmi, saiu de São Paulo na direção de conhecer Salvador. Sem dinheiro, faria o trajeto de carona. A viagem com desconhecidos pela estrada fluiu assaz inclusive Jequié, onde ficou difícil farejar quem topasse lhe levar à frente. “além tinha uma gente estranha, com facão na estrada”. Achou melhor gastar seu pouco dinheiro na direção de pegar um ônibus inclusive a capital baiana.

Chegando no destino, viu, enfim, como é a terra de muito de seus ídolos. Descobriu assaz como o tempero da comida local. “Comi tanto acará, mas tanto, mas tanto, mas tanto, que no último dia fiquei passado. Voltei pra São Paulo do mesmo jeito e sem comer mais nada, tudo me enjoava. Mas passou, sempre que venho já como um acará”.

Protesto

Em certo momento da conversa, um espectador se queixou com Jorge Portugal sobre o fato do show de orifício da Flipelô, com Maria Bethânia na Igreja de São Francisco, deter sido feito na direção de um assistência reduzido, não em um espaço onde todos que tivessem ganho pudessem escoltar a lado. “A Bethânia que pediu, e ela é rainha. Sou simplesmente um súdito”, retrucou o secretário de cultura.

Viajei a Salvador a convite da organização da Flipelô.

Professor Pasquale: “O Brasil não mudou porra nenhuma” desde Capitães da Areia – Blog Pagina cinco

Fonte: https://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/2017/08/11/professor-pasquale-o-brasil-nao-mudou-porra-nenhuma-desde-capitaes-da-areia/