Revista Aventuras na História – Sínodo do defunto: Ódio longe da vida

Julgamento do papa morto | <i>Crédito: Wikimedia Commons Images
Julgamento do papa morto | Crédito: Wikimedia Commons Images

A Igreja Católica passava por uma época turbulenta no fim do século 9. Enquanto no século 20 a Roma teve oito papas, no século 9 contavam-se às dezenas os que se sucederam no cargo – a maioria na casa dos 30 anos. “Em alguns casos, os papas terminavam assassinados, eram depostos e fugiam”, diz a historiadora Valéria Fernandes da Silva, especialista em história da Igreja. As poderosas famílias de Roma tinham influência na Santa Sé, o que levou algumas pessoas perturbadas a se sentar no trono de Pedro. Mas, em termos de ostentação, nenhum superou Estevão.

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No começo de 897, o papa Estevão VI (alguns o citam como Estevão VII) tomou uma postura excêntrica: ordenou a exumação de seu ancestral Formoso, morto nove meses dantes. No evento conhecido como sínodo cadavérico, o corpo do papa-defunto (isso mesmo, o corpo), vestido com insígnias e ornamentos, foi julgado e condenado por excesso de sede. Estevão excomungou Formoso, que foi despido de suas vestes papais e teve amputados os dedos da mão direita, usados com destino a abençoar os fiéis. Seu corpo putrefato foi atirado no rio Tibre, pena comum a criminosos.

Depois do ocorrido, a popularidade de Estevão foi com destino a o fundo do Tibre junto com o corpo de Formoso. Ele foi deposto numa rebelião e estrangulado inclusive a morte, inclusive em 897. No idade seguinte, o novo papa João IX anulou o sínodo cadavérico no Concílio de Ravena e ordenou o retorno do corpo de Formoso, resgatado do Tibre, à tumba, na presbitério de São Pedro. “Foi talvez o período mais conturbado da história do papado”, diz a historiadora Valéria Silva. “Coisas deste modo são um sintoma da instabilidade da Igreja, da crise de chefia e da ingerência das grandes famílias.” Estevão foi considerado louco.

O caso teve uma repercussão tão assustadora, que desde 880, a Igreja trocou de papa como time brasileiro de futebol muda de técnico. Segundo o Dicionário de Papas, de Michael Walsh, foram 38 eleitos nos 150 anos seguintes, média de um a cada quatro anos. Como se fosse Copa do Mundo. longe disso surgiu a denominação “Antipapa”, que apesar de parecer reunir saído de uma história de super-heróis, serve com destino a definir aqueles que se elegeram papas em oposição aos que foram escolhidos pelo poder central, em Roma. Entre os séculos 3 e 15, houve cerca de 30 antipapas. Reza a lenda que o desequilibrado Estevão, durante o julgamento, perguntou ao defunto de Formoso: “Por que desrespeitaste esta diocese?”, ao que um diácono, escondido, respondeu: “Porque eu sou mau!”. 









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Fonte: http://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/sinodo-do-cadaver-odio-alem-da-vida.phtml#.WUb9MOlumM8