“Saio com travestis lindas, e gosto de produzir sexo com elas. Sou gay?” – 08/08/2017

“Não sei exatamente porque me sinto elícito por travestis. Pode ser o corpo modificado, que acaba chegando perto da perfeição, mas é realmente uma vontade que tenho desde muito novo. Saí com algumas, e fiz sexo anual. Sou gay? Vou te dizer que sou diametralmente diligente, não permito penetração em mim, similarmente não faço sexo oral nelas. Mas elas podem, sim, produzir sexo oral em mim. Mas pensaria muito se fosse no sentido de me casar com uma. Se conseguisse esconder muito muito e eu gostasse dela, casaria sem problemas! Por fim, digo que realmente não tenho nenhum vantagem por pênis, portanto não acho que seja a dualidade que me interessa. Gosto é da mistura, do corpo próximo do ideal. Isso é um contrariedade?”.

O relato anteriormente, de um personal trainer de São Paulo, foi enviado por e-mail. aflito, o rapaz tem dúvidas, muito comuns, sobre identidade, orientação sexual e gênero. facha que tem “um contrariedade”. Vamos pronunciar de dois aspectos relativos ao dilema: desejo e identidade.

No que diz respeito ao desejo, o rapaz parece sintônico, ou seja, não tem dúvidas sobre quem é e suas características físicas. Parece. Isso porque, no sentido de nós, humanos, o desejo tem duas vertentes: sexual e afetiva.

A primeira traduz o sexo de uma determinada maneira e com um determinado tipo de indivíduo (ou mais de um). O personal trainer pratica sexo com travestis, diz fruir prazer com isso e, ainda então que eventualmente, se fixaria nesse padrão, casando-se com uma.

Do ponto de vista cordial, ele pode estar mais enrolado. Isso porque o relato dele vem pontilhado de expressões como “perfeição” e “ideal” e, então, dá no sentido de pensar que ele não quer (ou não pode) se relacionar afetivamente. É deste modo: enquanto o desejo se limitar ao sexo, pode-se ainda cultivar idealizações, mas se piscar no sentido de o lado cordial, elas podem ser traiçoeiras. O “outro” que desejamos é inevitavelmente imperfeito, deste modo como nós.

Nem sempre, é claro, desejo sexual e cordial têm de estar juntos,  muito menos serem eternos, mas em qualquer momento a junção pode ocorrer. acolá de a gente fruir desejo, e ele oferecer variáveis, vertentes sexuais e afetivas, humanos têm a capacidade de “refletir” sobre esses desejos e de lhes assacar valores.

A princípio, considera-se que esse dilema existencial seja exclusivo de nossa espécie, o que se chama de sexualidade: não nos alto “gostar de um pouco”, precisamos pensar que “gostar disso, desse jeito, é competente”.

O rapaz segue o perfil dos homens que se sentem elícito por travestis mapeado por Larissa Pelúcio, professora de Antropologia na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (SP) no matéria “Na noite nem todos os gatos são pardos: notas sobre a prostituição travesti”, publicado em 2005: profissionais liberais, estudantes, vendedores, representantes comerciais, microempresários, entre 20 e 60 anos.

ainda então segundo ela, a maioria é casada ou mantém relacionamentos fixos com mulheres, as Genetic Girls (garotas genéticas em tradução livre). As travestis são denominadas T-Girls (garotas transgêneras). Esses senhores se identificam socialmente como 100% heterossexuais e tendem a reforçar a masculinidade no ambiente social.

Nosso personal trainer está com um dilema (“será que sou gay?”), mas aqui podemos nos solidarizar com ele. A miríade de expressões sexuais contemporâneas tem causado um efeito reverso que aparece na forma de categorização, classificação e eventualmente medicalização da sexualidade.

O questão é vasto e complexo. O contrariedade é quando não reconhecemos a humanidade no outro, que é a maior das violências possíveis. T-Lovers, como o homem que enviou o e-mail, podem e devem conceder vazão a essa necessidade inexorável de se sentir feliz no sexo.

*João Luiz Vieira, 47, é jornalista e sexólogo, sócio proprietário do site paupraqualquerobra.com.br e tem um canal no YouTube: sexo_sem_medo. Com a colaboração do psicólogo clínico e professor de psicologia analítica Walter Mattos, e do psiquiatra Marcelo Niel.

“Saio com travestis lindas, e gosto de produzir sexo com elas. Sou gay?” – 08/08/2017

Fonte: https://estilo.uol.com.br/colunas/2017/08/08/saio-com-travestis-lindas-e-gosto-de-produzir-sexo-com-elas-sou-gay.htm