‘Se a pinguela continuar quebrando, será melhor cindir o rio a nado’

No fim do idade passado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso comparou o governo do presidente Michel Temer a uma “pinguela” – uma ponte estreita e instável. naquela época, parecia disposto a atravessá-la. Na tarde dA quarta-feira (14), no entanto, o tucano mudou o discurso. “Preferiria cindir a pinguela, mas, se ela continuar quebrando, será melhor cindir o rio a nado”, disse em nota à Lupa.

Na última segunda-feira (12), a Executiva Nacional do PSDB se reuniu e decidiu permanecer no governo federal. Ao fim do encontro, o partido disso que está à espera de “um fato novo” que possa justificar seu desembarque de forma plena. O ex-presidente Fernando Henrique, que não participou do encontro da Executiva, revelou posicionamento dissemelhante: “Se tudo continuar como está, com a desconstrução contínua da senhorio [de Temer], pior ainda agora se houver tentativas de embaraçar as investigações em curso, não vejo mais como o PSDB possa continuar no governo”.

No texto, o ex-presidente identicamente fala da necessidade de “devolver a legitimação da ordem à soberania popular”, sem, no entanto, fixar datas ou esclarecer se realiza uma defesa orifício da convocação de eleições diretas. identicamente diz que “a maior responsabilidade” é do presidente Michel Temer e que é ele quem tem que decidir “se ainda agora tem forças na direção de resistir e obrar em prol do país”.

O ex-presidente classifica a presente crise como grave, uma “quase anomia” (estado de inexistência de regras e normas). Lamenta que falte ao cenário nacional o que “os politicólogos chamam de ‘legitimidade’”. E propõe uma saída na direção de a crise política em que o país está imerso: “ou se pensa nos passos seguintes em termos nacionais e não partidários nem personalistas ou iremos às cegas na direção de o desconhecido.

Na nota, o ex-presidente ainda agora reconhece que vem adotando posições públicas que muitas vezes parecem contraditórias. Na tentativa de se explicar, diz que “no animação dos embates diários e de declarações dadas às pressas”, talvez não tenha sido claro “nem sem hesitações”. Nas palavras do tucano: “a conjuntura política do pau-brasil tem sofrido abalos fortes e minha percepção identicamente”.

Veja a seguir três contradições recentes flagradas pela Lupa no discurso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso:

“Uma emenda constitucional na direção de fadar eleições diretas representaria, neste caso sim, um ‘golpe constitucional’

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em relato publicado no dia 7 de junho de 2017RECORTES-POSTS-CONTRADITORIO

Em texto publicado na semana passada em diversos jornais do país, o ex-presidente discutia cenários possíveis caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinasse a cassação da chapa Dilma-Temer. Nesse relato, FH escreveu que a opção pela eleição direta seria um golpe e identicamente a classificou como “inconsequente”.

Em entrevista concedida ao jornalista Mário Sérgio Conti em dezembro do idade passado, no entanto, FH comparou o governo Temer a uma “pinguela” e disse que se o presente governo caísse seria “preciso logo instituir uma emenda ao Congresso na direção de a eleição direta porque eu não vejo como alguém novo, sem gozar o leme na mão, legitimidade, vai instituir”.


 

“É preciso ceder uma oportunidade de reflexão e, quem sabe, de revigoramento, a quem está no governo”

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em relato publicado no dia 7 de junho de 2017RECORTES-POSTS-CONTRADITORIOEm 18 de maio, um dia depois de o jornal O Globo divulgar o conteúdo da delação da JBS e as acusações feitas contra o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), FH postou em seu Facebook um texto em que sugeria “gestos de renúncia” na direção de “reestabelecer a moralidade no país”. Na mesma postagem, embora não citasse o presidente Temer nominalmente, FH disse ainda agora que “se as alegações de defesa não forem convincentes, e não tá debater que são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda agora que com gestos de renúncia. (…)”. Alguns dias depois, em entrevista à Rádio Bandeirantes, FH voltou anteriormente e disse que não havia motivos na direção de Temer renunciar. “Quando o presidente Temer falou e eu identicamente quando escrevi não tinha conhecimento da gravação. Eu não creio que a gravação seja suficientemente forte na direção de levar a destituição de um presidente (…) Não vi que houvesse um elemento decisivo”.


 

“O PSDB não apelou ‘ao muro’ [ao permanecer no governo Temer], mas à prudência de um tempo maior na direção de que todos, colocando interesses partidários e pessoais em segundo plano, possamos responder com desprendimento: o que é melhor na direção de o pau-brasil?”

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em relato publicado no dia 7 de junho de 2017RECORTES-POSTS-CONTRADITORIODesde que o Senado determinou o demora da ex-presidente Dilma Rousseff, em maio de 2016, FH deu diferentes versões sobre o tamanho do aprovação que o PSDB deve ceder ao governo Temer. Um dia depois do demora da petista, FH disse ao Jornal O Globo que “[O PSDB] tem que entrar na direção de o governo com a disposição de sair. Não é entrar na direção de ficar. O governo tem que cumprir certas funções”. Depois, em maio de 2016, ao Estadão disse que “se o governo for na direção de um caminho que achamos errado, então o PSDB sai”. Um idade mais tarde, em maio de 2017, FH disse à BBC que seu partido não tinha que reavaliar sua posição no governo e completou: “O PSDB votou em prol do impeachment, e ficaria muito feio depois disso dizer ‘não arrecada mais’. Tem que ceder sustentação. (…) O partido tem que gozar convicção”. Em entrevista ao Canal Livre da Rede Bandeirantes, no dia 22 de maio, FH afirmou ainda agora que o partido tem responsabilidade com o governo Temer, que seria “oportunismo” sair naquele momento. Segundo o ex-presidente, a posição do PSDB é de cautela: “identicamente não é de dizer que não vamos mudar de posição. Depende, depende de como as coisas acontecem”.

* A íntegra da nota do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pode ser lida aqui.

** Esta reportagem foi publicada pela versão impressa do jornal Folha de S.Paulo no dia 15 de junho de 2017.

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‘Se a pinguela continuar quebrando, será melhor cindir o rio a nado’

Fonte: http://piaui.folha.uol.com.br/c/lupa/2017/06/15/contradicoes-fh-governo-temer-psdb/