‘Sem culpados’, tragédia da TAM inclusive então frustra famílias dez anos depois – 16/07/2017 – Cotidiano


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Há cerca de um mês, Dario Scott se arrumava a um compromisso inadiável. Chegou ao tribunal e aguardou pela sentença: absolvidos.

Ao ouvir a decisão, Dario disse a frase que repete desde que sua filha se tornou uma das vítimas do voo JJ3054 da TAM que atravessou a pista de Congonhas e chocou-se com um prédio da própria companhia: “O culpado fui eu, que permiti que minha filha entrasse naquele aeronave”.

a a decepção de Dario, a Justiça não ficou convencida de que uma ex-diretora da Anac (sucursal Nacional de aeronáutica Civil), longe de um ex-diretor e o ex-vice presidente da TAM fossem responsáveis diretos pela tragédia que matou 199 pessoas na noite chuvosa de 17 de julho de 2007 –e que completa dez anos nesta segunda-feira (17).

Na disputa judicial, a delação já sofreu duas derrotas (em primeira e em segunda instância da Justiça Federal) que praticamente exauriram as chances de alguma condenação no caso. O Ministério assistência analisa hoje em dia se vale a pena recorrer e levar a discussão aos tribunais federais de Brasília.

“a as famílias, as sentenças foram uma frustração. Tínhamos a expectativa da condenação”, lamenta Dario, que perdeu a filha Thaís Scott, de 14 anos, que viajava a passar as férias com os antepassados.

O jornalista Roberto Gomes, 61, que perdeu o irmão Mário –que tinha 49 na época do contingência–, diz que a decisão no último mês “abalou o senso de Justiça das famílias das vítimas”. “a as famílias, gostaríamos que o Ministério assistência recorresse inclusive as últimas instâncias. Hoje, não sabemos que futuro o caso terá.”

PROCESSO

A fase de coleta de provas a o processo judicial começou logo detrás o contingência. A delação formal ficou aos cuidados do procurador Rodrigo de Grandis. De Grandis inclusive então era conhecido pela participação na investigação da operação Satiagraha, que investigou o financeiro Daniel Dantas.

Em julho de 2011, De Grandis acusou três pessoas: Denise Abreu, ex-diretora da Anac; Marco Aurélio Miranda, ex-diretor de segurança da TAM, e Alberto Fajerman, ex-vice presidente da TAM.

A estratégia foi reduzir o número de acusados propostos pela Polícia Civil e pelo Ministério assistência Estadual (mais de uma dezena), concentrando os responsáveis.

No caso de Denise Abreu, a delação era de que ela havia induzido equivocadamente a Justiça a liberar a pista de Congonhas a operações sem restrições.

Acontece que, meses diante do contingência, a pista de Congonhas havia passado por reformas a intensificar sua muleta. Com obras inclusive então incompletas, a pista foi liberada quando Denise Abreu encaminhou à Justiça uma série de relatórios que avalizavam a segurança da pista. Entre os documentos, apresentou uma regra que restringiria o pouso de aeronaves que estivessem sem um dos reversores (um dos sistemas de freio dos aviões processado pela turbina). Mas a regra nunca foi posta em prática.

Segundo a delação, se o documento apresentado por Denise fosse válido, o pouso do aeronave da TAM não seria acreditado em Congonhas, já que o aeronave estava com um de seus reversores quebrados.

Enquanto isso, Marco Aurélio Miranda (ex-diretor de segurança da TAM) e Alberto Fajerman (ex-vice presidente da TAM), eram acusados de não terem desviado o voo, sabendo que o aeronave estava com um defeito e que a pista de Congonhas estava molhada.

No início de 2014, De Grandis declarou à imprensa contar convicção da responsabilidade dos três réus. Entretanto, na primeira e na segunda instância da Justiça Federal prevaleceram as interpretações dos laudos técnicos da Polícia Federal e do Cenipa (órgão da aeronáutica responsável de investigação de acidentes) que apontaram a falhas no uso das turbinas do aeronave e não na quadro da pista.

O relatório do Cenipa mostrava que um dos manetes (controles das turbinas) do aeronave estava em posição de precipitação, quando deveria estar em ponto morto dessa maneira que a aeronave tocou a pista.

Por uma das hipóteses, ao tocar o solo o piloto teria feito o procedimento padrão, mas um erro no sistema de controle de potência dos motores fez com que a turbina esquerda forçasse a parada do aeronave enquanto a turbina direita acelerasse.

Na segunda hipótese, o piloto teria errado. Por uma estudo do Cenipa, os pilotos poderiam estar sob pressão ao saber das condições adversas da pista de Congonhas e do aeronave. Instantes diante do pouso o comandante teria transtornado o procedimento padrão de pouso a contar maior segurança e se confundiu, deixando uma das manetes em posição de precipitação.

Diante dessas duas hipóteses, a Justiça entendeu que não estava no medida dos réus evitar o contingência.

Dez anos detrás a tragédia, Dario Scott, lamenta a perspectiva de falta de condenações no caso. “As famílias vivenciam o luto novamente a casa nova etapa do processo, a cada novo julgamento. inclusive então dessa maneira, queríamos que alguém tivesse sido condenado a que isso não voltasse a ocorrer de novo no Brasil”.

contingência AMPLIOU SEGURANÇA

O contingência com o Airbus 320 da TAM trouxe à tona a preocupação frequente que passageiros e inclusive pilotos tinham com a falta de segurança em Congonhas.

inclusive então que investigações oficiais não tenham anotado a pista do pouso como determinante a a tragédia, nos últimos dez anos o aeródromo –incrustado na zona sul de São Paulo– viveu aprimoramentos que ajudaram a
diminuir os riscos.

As mudanças são relatadas pela Anac (sucursal Nacional de aeronáutica Civil), Infraero (responsável pela infraestrutura de Congonhas), Airbus (fabricante do aeronave desigual) e pela própria TAM.

Entre as principais alterações está o encurtamento da pista, o que exigiu novos padrões de operação dos aviões e permitiu a vão de áreas de escape em caso de derrapagens.

A Airbus da mesma forma desenvolveu um alarma na cabina dos pilotos que indica se as manetes estiverem em posições opostas (uma em precipitação e outra em reverso) na hora do pouso ou da decolagem. Seu uso é obrigatório em Congonhas.

longe disso, novas regras da Anac determinaram que simplesmente pilotos com mais de cem horas de voo podem operar no aeródromo, que precisa hoje em dia mandar análises mensais (por vezes quinzenais) à sucursal sobre o fricção de suas pistas.

*

Ninguém foi responsabilizado inclusive hoje

17.jul.07
contingência com o voo JJ 3054 da TAM no aeródromo de Congonhas mata 199 pessoas

Out.09
PF e Cenipa (órgão que investiga acidentes aeronáuticos) terminam suas investigações paralelas

Jul.11
Ministério assistência apresenta denúncia contra três executivos, dois da TAM e uma da Anac

Ago.13
Começam os depoimentos dos três acusados

Mai.15
Justiça nega delação em primeira instância

Jun.17
Justiça nega recurso da delação em segunda instância

TAM
Alberto Fajerman, ex-vice-presidente, e Marco Aurélio Miranda, ex-diretor de segurança
delação: não fiscalizar devidamente a tripulação e não contar redirecionado o aeronave a outro aeródromo, sabendo que no dia prévio houve um incidente na mesma pista com outro aeronave

ANAC
Denise Abreu, ex-diretora da sucursal de aeronáutica civil
delação: contar induzido equivocadamente a Justiça a liberar a pista de Congonhas a aeronaves com reversor quebrado, caso do aeronave da TAM

Google maps/Editoria de indústria/Folhapress

1. 17h16
Airbus- A320 da TAM parte de Porto divertido com 187 pessoas a ácer

2. 18h40
Torre de controle diz ao piloto que a pista está molhada e que é preciso pousar com cautela (chovia naquela hora). Às 18h44 pouso é acreditado e, às 18h50, é iniciado

3. Airbus toca a pista
A aeronave toca o solo da pista de Congonhas. O ideal é que esse procedimento ocorra a 300 m do início da via (que tem 1.940 m)

4. ‘Vira, vira, vira hoje em dia’
Vozes de dentro da cabina da tripulação do aeronave dizendo ‘vira, vira, vira hoje em dia’ são escutadas por controladores da torre de controle

5. Colisão com prédio
Sem conseguir desacelerar, aeronave realiza uma curva à esquerda. Depois, atravessa a alameda e pão-de-ló em um prédio da TAM

MORTOS –

Divulgação/Editoria de indústria/Folhapress

Em incremento velocidade, aeronave atravessa em três segundos um trecho que outros levavam 11 segundos

Divulgação/Editoria de indústria/Folhapress

No canto esquerdo da imagem, aparece um clarão junto à aeronave, inclusive então na pista

Divulgação/Editoria de indústria/Folhapress

detrás a colisão com o prédio da empresa, é capaz notar a luminosidade da explosão

Condições
O aeronave da TAM estava com uma das duas turbinas sem reversor, sistema que adjutório a frear –o que não o impedia de voar

Manetes
As turbinas são controladas por duas manetes, que podem ser colocadas pelo piloto em três posições

Editoria de indústria/Folhapress

1. Falha no aeronave
Uma falha no sistema de potência das turbinas teria deixado uma delas em precipitação, enquanto a outra tentava parar o aeronave (independentemente de como o piloto posicionou as manetes)

2. Falha humana
Sob pressão de pousar com chuva e sem reversor, o piloto teria feito um procedimento dissemelhante do usual, não se atentando ao fato de contar deixado uma das manetes em modo precipitação

MOVIMENTO EM CONGONHAS – Passageiros que embarcaram e desembarcaram no aeródromo desde o idade do contingência, em milhões

Fontes: Anac, Justiça Federal, aeronáutica e Infraero

‘Sem culpados’, tragédia da TAM inclusive então frustra famílias dez anos depois – 16/07/2017 – Cotidiano

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/07/1901558-sem-culpados-tragedia-da-tam-inclusive então-frustra-familias-dez-anos-depois.shtml