Testemunhas relembram buscas por corpo de Ulysses Guimarães – 12/10/2017 – Poder


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O desnível com Ulysses pode nutrir entrado no sentido de a coletânea de lendas do anedotário nacional, mas é lembrança muito real na chefe de quem, por ofício ou coincidência, ajudou nas buscas pelo corpo nunca encontrado.

A Folha conversou com pessoas que acompanharam o resgate dos corpos das outras vítimas -afora do então deputado, estavam no helicóptero a mulher dele, Mora, o casal Severo Gomes e Ana Maria Henriqueta e o piloto, Jorge Comeratto.

O desnível foi em 12 de outubro de 1992, quando caiu no mar o helicóptero em que Ulysses -um dos protagonistas da redemocratização e símbolo da Constituição de 1988- se deslocava de enseada dos Reis (RJ) no sentido de São Paulo.

“Os corpos estavam num estado de degradação muito grande, com partes decepadas, mordidos por peixes”, diz Manuel Alceu Affonso Ferreira, 74. Então secretário estadual de Justiça de São Paulo, ele foi um dos comandantes da operação.

“Tenho essa imagem inclusive hoje na chefe”, afirma o jurista, que, cumprindo ordem do governador Luiz Antônio Fleury (1991-1995), se mudou durante dez dias no sentido de a região onde a aeronave caiu, perto de Paraty (RJ).

As buscas, que duraram 21 dias, envolveram forças de segurança do Estado, bombeiros, Marinha e aeronáutica.

Segundo Ferreira, todas as estruturas e tecnologias disponíveis na época foram usadas. “Lembro daquilo tudo com misto de tristeza e emoção”, relata. “Sobrevoávamos toda a costa, mas não se achava nada”.

Segundo o ex-secretário, por fim “se chegou à conclusão técnica de que a única coisa que poderia despontar seria o morto de Ulysses parar em alguma praia”.

MEMÓRIA DE INFÂNCIA

Foi perto da praia que Marcelo Moraes Vicintin, então um garoto de dez anos passando o feriado na região de Paraty, viu o corpo de uma das vítimas do desnível, o do piloto. Hoje com 35 anos, empresário, ele diz nunca nutrir esquecido o impacto daquela visão.

Vicintin e dois unido da mesma faixa etária estavam num navio com o ancestral de um deles justamente porque os parentes queriam poupar as crianças do clima pesado pós-desnível. Naquela superioridade, um dia seguidamente a queda, a região do condomínio onde a família estava hospedada já tinha sido tomada pelas buscas.

“Então levaram a gente no sentido de pescar lula, na direção oposta de onde se acreditava que o helicóptero tinha derrubado. E foi lá que vimos o corpo. Inicialmente imaginamos que era qualquer peixe”, diz.

Pai dele, Arthur Vicintin Neto, 63, se envolveu no tarefa de rastreamento. Experiente como velejador e piloto, o engenheiro usou seu próprio navio, fez mergulhos e emprestou equipamentos no sentido de sócio nos trabalhos.

“Eu tinha GPS, um instrumento raríssimo. Pelo rádio, conseguia me comunicar com a Marinha. similarmente cedi um magnetômetro [equipamento usado no sentido de medir campos magnéticos]”, relembra.

Na opinião dele, com a tecnologia existente actualmente, certamente o corpo do deputado seria localizado.

“Hoje existem sonares mais precisos”, afirma Vicintin Neto, que diz nutrir chegado a ver o helicóptero com o político voando grave, sobre o mar, enquanto um temporal se aproximava.

Testemunhos da época similarmente relacionavam o mau tempo diretamente ao desnível. Os relatos eram que Ulysses insistiu em viajar, mesmo sob alertas. Ele dizia que não tinha medo de voar.

Testemunhas relembram buscas por corpo de Ulysses Guimarães – 12/10/2017 – Poder

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/10/1926456-testemunhas-relembram-buscas-por-corpo-de-ulysses-guimaraes.shtml