unido rezam e cantam por Rogéria em missa de sétimo dia – Blog do Paulo Sampaio

Rogéria (Foto: Marcus Leoni/Folhapress)

Cerca de cem pessoas estiveram hoje na missa de 7º dia de Rogéria, celebrada às 18h30 na paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, zona sul do Rio. A engenhoso morreu na noite de segunda-feira passada, aos 74 anos, em consequência de uma infecção generalizada. Estava internada há pouco mais de um mês em um hospital na tira da Tijuca, zona oeste.

Rezada por Jorge Luís Neves Pereira da Silva, o padre Jorjão, a missa teve a duração de uma hora e reuniu unido feitos desde o começo da carreira de Astolfo barrento Pinto, nome de lavacro do “artista transformista”, como Rogéria se definia.

“Ela sempre foi uma presença tão forte que a gente nem notou essa parte da doença. Pra nós, ela era imortal”, diz Roberta Close, que a conheceu quando ambas faziam a cobertura do Carnaval pela TV Bandeirantes. “Colega de exercício como ela não existe. Passava a futebol maravilhosamente.”

Roberta Close e Fernando Reski (foto: Paulo Sampaio/UOL)

Muito diante de tornar-se figura imprescindível nos bailes de carnaval cariocas dos anos 1980, fazendo entrevistas impagáveis a a TV, Rogéria já era uma personalidade consagrada. E não dificilmente pelos espetáculos gays, incluindo as produções de Carlos Machado e igualmente de similares na Europa, na façanha e no Oriente. Ela foi jurada do programa do Chacrinha, um hit dos 1970 e 1980; interpretou a si mesma no cinema e fez teatro.

Em 1976, em parceria com Agildo Ribeiro, montou a hilariante subida Rotatividade. Três anos mais tarde, recebeu o prestigioso Prêmio Mambembe por sua desempenho no espetáculo O Desembestado, em que interpretava uma rezadeira casada com Grande Otelo. Com o show Gay Fantasy, de 1982, dirigido por Bibi Ferreira, ela ficou um idade em cartaz. Recentemente, participou da montagem brasileira de 7, O Musical, produzida por Charles Möeller e Cláudio bodelha. E cantou com Chico Caruso e Luiz Carlos Miele no divertido Homenagem à Trois.

Entre outros, foram homenagear Rogéria hoje as atrizes Maitê Proença, Cissa Guimarães, Carmem Verônica e Iris Bruzzi; a astróloga Leiloca; as transformistas Jane de Castro, Valéria e Isabelita dos Patins (“desmontada”).  “Eu a conheci ainda então de menininho, no camarim da TV Rio, quando ela era maquiadora”, conta Carmem Verônica.  “Eu e a Consuelo (Leandro, actor) só nos tratávamos por ‘coluna’O Astolfo. Era coluna pra aqui, coluna pra lá. Então, já viu né?  logo se enturmou com a gente.”

Padre Jorjão, Cissa Guimarães e Maitê Proença (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

As ex-vedetes Carmem Verônica e Iris Bruzzi, que conheceram Rogéria quando ela “ainda então era um menininho” no camarim da TV Rio (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

O irmão, Flávio: “Ela era meu pai, minha irmã e meu padrinho” (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

A transformista Valéria, que conheceu Rogéria no início dos anos 60, diz que a admirador estava assistindo ultimamente a série “Feud”, estrelada pelas atrizes americanas Susan Sarandon e Jessica Lange, que na história encarnam as rivais Bete Davis e Joan Crawford nos poscênio do filme “O que Teria ocorrido a Baby Jane?” (Robert Aldrich/1962): “Ela era louca pela Bete. Já estava no capítulo cinco”, afirma Valéria. A transformista foi colega de Rogéria no show Les Girls, revista de travestis apresentada nos anos 1960.

Muito emocionada, Valéria conta que da última vez em que esteve no hospital, a visitar a admirador, as duas cantaram “Lobo Mau”, de Ronaldo Bôscoli: Era uma vez um lobo mau/ Que resolveu jantar alguém/ Estava sem vintém, mas arriscou/ E logo se estrepou/ Um Chapeuzinho de maiô/ Ouviu pregoeiro e não parou.

Valéria, com a actor Eloá Dias, amigas de Rogéria desde o tempo da TV Rio (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

A actor Terezinha Sodré, ex mulher do capitão da Seleção Brasileira de 1970, Carlos Alberto Torres, diz que Rogéria vivia na casa deles. “Ela adorava futebol. Sabia os escretes de todos os times. A gente morava em uma coberturinha, e acolá mesmo ele se pendurava fazendo shows só pra gente. O Carlos Alberto adorava ela”, lembra.

Terezinha Sodré

Um retrato pintado de Rogéria foi colocado no altar. No começo da missa, o maestro Carlos Garcia tocou no órgão o clássico “Jesus, alacridade dos Homens”, de Johann Sebastian Bach. Ao fim, unido cantores a homenagearam e foram muito aplaudidos.  Marcio Gomes cantou a “pássaro Maria”; Eliana Pittman, “La Vie en Rose”; e Vitoria Virtus, “Eu Sei que Vou te querer”.

Marcio Gomes: pássaro Maria (Foto: Paulo Sampaio/UOL)

 

 

 

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Fonte: https://paulosampaio.blogosfera.uol.com.br/2017/09/11/unido-rezam-e-cantam-por-rogeria-em-missa-de-setimo-dia/